Campanhas pontuais não resolvem os desafios da saúde mental no trabalho
O chamado “efeito rebote” da saúde mental começa a se manifestar justamente com o fim do Janeiro Branco. Depois de um mês de campanhas de conscientização, palestras inspiracionais e ações simbólicas, o tema perde visibilidade dentro das empresas, mas o sofrimento psíquico permanece, muitas vezes até mais evidente. Sem holofotes, sem discurso contínuo e, principalmente, sem um plano estruturado de ação, os indicadores de ansiedade, estresse e esgotamento seguem fazendo parte da rotina corporativa brasileira.
Segundo dados oficiais do Ministério da Previdência Social (INSS), foram concedidos 472.328 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais em 2024 e 546.254 em 2025, o que representa um aumento de 15,66% em um ano, reforçando que ações pontuais de conscientização não são suficientes para enfrentar um problema estrutural.
“A saúde mental não é campanha de marketing, é processo. Se a empresa não sabe quem está adoecendo, por quê e em quais áreas, ela está tomando decisões no escuro e isso custa caro, tanto financeiramente quanto humanamente”, explica Ricardo Queiroz, CEO da Flora Insights, contextualizando o cenário das empresas brasileiras diante do aumento de afastamentos por transtornos mentais.

A discussão ganha ainda mais relevância com a entrada em vigor da nova NR‑01 a partir de maio deste ano, que determina que as empresas façam o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), incluindo riscos psicossociais, de forma permanente e estruturada. A norma não prevê ações simbólicas ou campanhas sazonais, mas sim identificação, monitoramento e mitigação de riscos ao longo de todo o ano.
“A saúde mental dos colaboradores não acompanha calendários de conscientização. A falta de acompanhamento contínuo e de dados concretos sobre o bem-estar das equipes compromete a tomada de decisão estratégica e aumenta o risco de afastamentos e queda de produtividade”, afirma afirma Ana Tomazelli, executiva de RH e embaixadora da Flora Insights, com mais de 20 anos de experiência internacional.
O cenário evidencia que o investimento em gestão contínua de saúde mental é mais estratégico do que campanhas pontuais. Empresas que monitoram, analisam dados e estruturam planos de ação permanentes conseguem tomar decisões mais assertivas, reduzir afastamentos e melhorar o clima organizacional.

