Auditoria interna: confiança e eficiência na saúde suplementar
Por Eli Pinto Jr.
Maio, mês de conscientização da auditoria interna, é uma oportunidade para evidenciar um papel que, embora muitas vezes silencioso, é decisivo para a sustentabilidade das organizações. Em um ambiente corporativo cada vez mais regulado, dinâmico e orientado por dados, a auditoria interna deixou de ser apenas um mecanismo de verificação para se consolidar como função estratégica, capaz de gerar valor, apoiar decisões e fortalecer a governança.
Definida como uma atividade independente e objetiva de avaliação e consultoria, a auditoria interna atua como terceira linha na estrutura de governança corporativa. Seu trabalho assegura a efetividade dos controles, a aderência regulatória e a gestão adequada de riscos, ampliando a transparência e a confiabilidade das informações que chegam à alta administração e aos órgãos reguladores. Mais do que apontar falhas, a auditoria identifica oportunidades de melhoria, oferecendo recomendações baseadas em evidências que qualificam a tomada de decisões.
No setor de saúde suplementar, especialmente nas operadoras de autogestão, essa atuação ganha contornos ainda mais relevantes. Trata-se de um ambiente sensível, que exige equilíbrio constante entre sustentabilidade financeira, qualidade assistencial e rigor regulatório. Nesse contexto, a auditoria interna opera de forma integrada, avaliando desde a utilização dos recursos até a conformidade com normas e a aderência estratégica à mantenedora.
Sua atuação percorre pilares essenciais da operação. No cadastro de beneficiários, por exemplo, verifica elegibilidade e integridade das informações, prevenindo distorções que impactam diretamente o risco assistencial e os custos. No portfólio de produtos, avalia a adequação às necessidades da população coberta, buscando equilíbrio entre cobertura e viabilidade econômica. Já no campo regulatório, acompanha o cumprimento das obrigações junto à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), reduzindo riscos de sanções e fortalecendo a credibilidade institucional.
Além disso, a auditoria contribui diretamente para a eficiência assistencial ao avaliar o desempenho da rede credenciada, verificar a aderência a diretrizes clínicas e identificar desperdícios, como procedimentos desnecessários ou redundantes. Essa visão sistêmica permite promover o uso racional dos recursos sem comprometer a qualidade do atendimento, um dos maiores desafios das autogestões.
Outro aspecto central é a capacidade de prevenção. A auditoria interna atua na identificação e mitigação de riscos críticos, como fraudes, abusos, falhas operacionais, inconsistências financeiras e vulnerabilidades em tecnologia e dados. Ao fortalecer o ambiente de controle, reduz perdas, protege a reputação institucional e assegura a continuidade das operações.
Esse conjunto de ações reverbera diretamente na confiança dos stakeholders. Beneficiários passam a ter maior segurança quanto à qualidade e à integridade dos serviços. Prestadores se relacionam em um ambiente mais transparente e técnico. Reguladores reconhecem o compromisso com conformidade. E a alta gestão conta com uma visão independente e estruturada para orientar decisões estratégicas.
Diante da transformação digital e do aumento da complexidade regulatória, a auditoria também evolui. O uso de analytics, auditoria contínua e integração com frameworks de governança, risco e compliance (GRC) amplia sua capacidade de monitoramento em tempo real. Ao mesmo tempo, passa a atuar de forma mais consultiva, apoiando a implementação de inovações com controle adequado de riscos, inclusive em temas como proteção de dados e cibersegurança.
Nesse novo cenário, a auditoria interna se posiciona como um agente de valor. Nas autogestões em saúde, seu papel é ainda mais crítico: garantir que cada decisão, cada processo e cada recurso estejam alinhados a um propósito maior: o de oferecer assistência de qualidade, com sustentabilidade e responsabilidade. É esse elo invisível que sustenta não apenas a eficiência das operações, mas a confiança que mantém o sistema de pé.
*Eli Pinto Jr é Diretor-Presidente da Postal Saúde e Vice-Presidente da Unidas Autogestão.

