89% das violações em genAI envolvem dados regulamentados
O Netskope Threat Labs divulgou seu relatório anual sobre ameaças no setor de saúde, resultado da análise das principais ameaças cibernéticas que afetaram organizações e profissionais da área nos últimos treze meses.
Com o uso cada vez mais frequente de aplicações de IA generativa (genAI) por profissionais de saúde, aumenta também o risco de exposição de informações sensíveis inseridas em prompts e documentos. Dados regulamentados, como prontuários de pacientes e informações médicas, concentram 89% das violações de políticas de dados associadas à genAI no setor, índice significativamente superior à média intersetorial de 31%.
Para Claudio Bannwart, country manager Brasil da Netskope, o setor de saúde no país vem avançando de forma consistente na digitalização e na incorporação de novas tecnologias aos processos clínicos e administrativos. “A IA generativa já faz parte dessa transformação e amplia ganhos de eficiência, mas também exige maior disciplina no tratamento de informações sensíveis, como fica evidente em nosso recente relatório sobre o setor. De forma positiva, o país tem se movimentado para estruturar esse avanço, como demonstra a decisão do CFM (Conselho Federal de Medicina) de normatizar o uso da IA na medicina. Esse alinhamento tende a fortalecer a maturidade do setor, ampliando governança, visibilidade e controles adequados ao nível de sensibilidade das informações”.

Shadow AI tem redução, mas ainda preocupa
Além desse cenário, o uso de contas pessoais de genAI no ambiente de trabalho amplia a exposição a riscos. Embora essa prática tenha recuado de forma expressiva nos últimos treze meses, 43% dos profissionais de saúde ainda utilizam contas pessoais, muitas vezes fora do alcance dos mecanismos corporativos de monitoramento e prevenção de vazamentos. Como resposta, as organizações vêm estimulando o uso de aplicações de genAI aprovadas e gerenciadas internamente, cuja adoção segue em ritmo acelerado. A proporção de funcionários que utilizam ferramentas corporativas aprovadas saltou de 18% para 67% no período, avanço que supera a média observada em outros setores, onde a taxa passou de 26% para 62%.
O uso de aplicações pessoais de nuvem no ambiente corporativo também amplia os desafios de segurança da informação, já que funcionários podem, de forma inadvertida ou deliberada, transferir dados sensíveis para contas particulares. Nesse contexto, dados regulamentados voltam a liderar as exposições, respondendo por 82% das violações de políticas associadas a aplicações pessoais em nuvem. Para reduzir esse risco, as organizações adotam medidas como alertas automatizados e em tempo real para orientar os usuários antes do envio de informações sensíveis a serviços não gerenciados, além do bloqueio de uploads para contas pessoais. No último ano, 56% das organizações de saúde que implementaram esse tipo de política bloquearam o envio de arquivos para contas pessoais do Google Drive, evidenciando a recorrência desse vetor de exposição. Na sequência aparecem Gmail, com 39%, e OneDrive, com 30%.
Ferramentas com desenvolvimento interno ganham força
A tendência é de expansão do uso de IA pelas organizações de saúde para ganho de eficiência operacional. O relatório indica que a implementação de ferramentas internas de IA, que demandam controles de segurança específicos, já avança de forma consistente. Mesmo quando aplicações de genAI ou agentes são desenvolvidos internamente, é comum que se conectem a modelos hospedados em nuvem por meio de APIs dedicadas.
Nesse contexto, o monitoramento do tráfego de API torna-se um indicador relevante das implementações de IA on-premises. No setor de saúde, 63% das organizações registram conexões com a OpenAI e 62% com a AssemblyAI, enquanto 36% detectam tráfego para a Anthropic. Essa forte dependência de integrações baseadas em API ressalta o papel crescente dos serviços de IA incorporados a sistemas clínicos, administrativos e operacionais, que também precisam de reforço em segurança e governança para evitar incidentes cibernéticos relacionados à IA.
A exploração de aplicações de nuvem para distribuição de malware continua se apoiando na confiança que usuários depositam nessas plataformas. No setor de saúde, Azure Static Web Apps, GitHub e Microsoft OneDrive foram os serviços mais utilizados para esse fim, com tentativas de download de arquivos maliciosos detectadas por 8,2%, 8% e 6,3% das organizações, respectivamente.
“Embora a construção de defesas contra ameaças externas seja essencial para as organizações de saúde, historicamente alvos prioritários de cibercriminosos, abordar o risco interno é igualmente importante, especialmente em um setor altamente regulamentado e em um contexto de rápida adoção de nuvem e IA. Nosso relatório mostra que operar sem medidas de segurança que governem o uso de nuvem e IA aumenta significativamente a probabilidade de vazamentos de dados clínicos e de pacientes, além de potenciais penalidades regulatórias. A implementação de aplicações aprovadas pela empresa, que atendam às demandas dos funcionários por conveniência e produtividade, aliada a ferramentas de segurança que ofereçam visibilidade e controle sobre o uso e a movimentação de dados, deve ser prioridade para as organizações de saúde, a fim de equilibrar modernização e segurança”, explica Ray Canzanese, diretor do Netskope Threat Labs.
As informações apresentadas no relatório foram baseadas em dados anonimizados de uso relativos a um subconjunto de clientes da Netskope no setor de saúde em todo o mundo, coletados com autorização prévia entre 1º de dezembro de 2024 e 31 de dezembro de 2025.

