Pesquisa clínica é fundamental para a evolução da medicina

Por Fabiano Rebouças

A pesquisa clínica é fundamental para a evolução da Medicina e precisa ser incentivada. Aprofundar-se em um tema de saúde traz benefícios à sociedade, às instituições e à carreira profissional dos médicos. Porém, o empenho no estudo esbarra nas rotinas assistenciais intensas. Por isso, a produção de conhecimento deve ser apresentada desde o início da graduação aos profissionais em formação para deixar claro que a elaboração da ciência melhora e proporciona mais segurança aos cuidados com o paciente.

A pesquisa clínica ganhou nova luz após a pandemia da Covid-19. Em poucos anos, estudos mudaram condutas médicas em tempo real, propiciando o desenvolvimento de protocolos terapêuticos e vacinas. Isso aproximou a ciência da sociedade. Porém, esse destaque foi perdendo espaço nos últimos tempos.

A produção de conhecimento científico esbarra em questões burocráticas, dificuldades de financiamento e excesso de etapas regulatórias. O cenário passa despercebido também, porque profissionais em formação estão distantes da pesquisa durante a graduação; associada às rotinas de atendimentos, plantões e outras atividades administrativas, a investigação acaba ficando de lado.

É importante lembrar também que a pesquisa clínica traz benefícios sociais, porque valida tratamentos e melhora protocolos de atendimento de saúde, oferecendo uma assistência mais segura e atualizada aos pacientes. Além disso, proporciona benefícios às instituições, fortalecendo o ensino, a produção científica, os indicadores acadêmicos institucionais e a qualidade assistencial.

O profissional que realiza pesquisas tem o senso crítico ampliado, a capacidade de análise científica melhorada, além de estar em constante atualização. Para melhorar a adesão à produção de ciência, os médicos em formação precisam encontrar um ambiente que valorize a curiosidade científica e proporcione momentos para o estudo investigativo, além de orientação com mentores. Nessa configuração, o ato de pesquisar se torna possível e passa a ser enxergado como parte natural da formação médica.

No Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo (Iamspe), foram desenvolvidas mais de 4.500 pesquisas clínicas desde o início das atividades da Coordenadoria de Desenvolvimento de Ensino e Pesquisa (Cedep). Somente em 2025, 94 novos estudos foram realizados na Instituição e 405 pareceres foram consubstanciados pelo Comitê de Ética em Pesquisa.

Nesse sentido, os preceptores dos hospitais-escolas e professores de cursos superiores da área médica têm papel fundamental no incentivo à produção científica. Devem ampliar o desenvolvimento de pesquisas e a integração com outras áreas da Medicina, pois os profissionais em formação estão em um momento rico de aprendizado, além de terem contato com casos clínicos, o que pode servir de subsídio para o saber científico.

Por fim, a pesquisa clínica deve estar próxima da assistência médica, pois faz parte da construção da Medicina de qualidade. Por isso, é essencial proporcionar tempo, orientação e apoio institucional aos médicos que desejam produzir conhecimento científico. A ciência muda carreiras, reputações e salva vidas.


*Fabiano Rebouças é ortopedista e diretor da Coordenadoria de Desenvolvimento de Ensino e Pesquisa (Cedep) do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo (Iamspe).

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