Mortalidade materna no Brasil retoma níveis pré-pandemia da Covid-19

A razão de mortalidade materna (RMM) no Brasil retomou os níveis pré-pandemia, com 1.347 mortes, ou 56,4 óbitos por 100 mil nascidos vivos em 2024. Na contramão da tendência nacional, porém, os estados de Roraima, Piauí, Goiás e Rio Grande do Norte continuam com níveis elevados da RMM e permanecem acima da meta de até 70 mortes por 100 mil nascidos vivos estabelecida pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU), para 2030.

Roraima apresentou a RMM mais elevada do país em 2024, com 132,4 mortes por 100 mil nascidos vivos, superior à taxa nacional de 114,2 registrada em 2021, no auge da pandemia e no pico da série histórica. Em seguida, aparecem Piauí, com 88,2 mortes por 100 mil nascidos vivos; Goiás, com 76,5; e Rio Grande do Norte, com 76,5. Os dados são do DATASUS-SIM e estão disponíveis no Observatório da Saúde Pública, da Umane, organização que fomenta iniciativas no âmbito da saúde pública no país.

“Os números evidenciam que a redução da mortalidade materna ainda ocorre de forma desigual no Brasil. É preciso ter cuidado e realizar uma análise das tendências em cada estado, especialmente em locais como Roraima, que registra cerca de 12 mil nascidos vivos por ano, o que torna cada óbito materno um acréscimo de 8 pontos no indicador. Independentemente disso, sabemos que grande parte da mortalidade materna é evitável e que suas causas podem ser identificadas e resolvidas na interação da gestante com os serviços de saúde e proteção social oferecidos antes, durante e logo após o parto, para garantir a identificação precoce de potenciais riscos e um pré-natal adequado às condições da gestante, especialmente em regiões ou grupos mais vulneráveis”, afirma Evelyn Santos, gerente de investimento e impacto social da Umane.

As desigualdades observadas entre os estados se sobrepõem aos indicadores de acesso ao pré-natal em cada região, conforme revela estudo do Centro Internacional de Equidade em Saúde (CIES), da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em parceria com a Umane. Segundo o levantamento, a cobertura de sete ou mais consultas de pré-natal, mínimo recomendado pelo Ministério da Saúde, é mais baixa na região Norte, em torno de 64%, enquanto o Sul registra patamar próximo de 86%. A pesquisa aponta, ainda, que uma em cada cinco gestantes brasileiras não recebia o cuidado mínimo de sete consultas de pré-natal em 2023. O estudo também mostra que, conforme aumenta o número de consultas recomendadas, cai progressivamente a proporção de gestantes que conseguem completar o acompanhamento. “A constatação de que ainda temos 1 em cada 5 gestantes sem realizar pelo menos as 7 consultas recomendadas pelo MS é importante. Mas números globais escondem desigualdades importantes. Na região Norte, 4 em cada 10 mulheres não têm 7+ consultas, entre as indígenas, 5 em cada 10, e entre as indígenas com menos de 4 anos de escolaridade, mais de 6 em cada 10 não conseguem 7 consultas. Essa informação é essencial para o planejamento dos serviços se queremos equidade na atenção ao parto, não deixando ninguém para trás”, afirma Aluísio Barros, diretor do Centro Internacional de Equidade em Saúde da Universidade Federal de Pelotas (CIES/UFPel) e coautor do estudo.

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