Doença Renal Crônica deve virar 4ª causa de morte mundial até 2040

Por Bruno Zawadzki

A Doença Renal Crônica (DRC) avança de forma silenciosa e acelerada, sem receber a atenção proporcional ao tamanho dessa ameaça à saúde pública. Segundo estudo conduzido pela NYU Langone Health, em parceria com a Universidade de Glasgow e o Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME) da Universidade de Washington, a DRC já é a nona principal causa de morte no mundo e, estima-se que avance ainda mais, caso nada mude, chegando a quarta causa de morte no mundo até 2040.

O problema tem raízes claras: o envelhecimento da população, a explosão dos casos de hipertensão e diabetes – principais fatores de risco – e a crescente prevalência de obesidade, alimentação inadequada e sedentarismo. Em um cenário em que as condições crônicas se multiplicam, a DRC se instala como consequência direta do modo de vida de uma sociedade que ainda caminha a passos lentos rumo a hábitos verdadeiramente saudáveis, seja por desafios culturais, financeiros ou estruturais.

O panorama nacional reforça a urgência. O Censo Brasileiro de Diálise da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) estima que, em 2023, mais de 157 mil pessoas realizavam diálise no país, o que representa uma prevalência de 771 pacientes por milhão de habitantes. No mesmo ano, mais de 51 mil brasileiros iniciaram tratamento dialítico, correspondendo a uma incidência de 251 casos por milhão. Trata-se de um contingente expressivo de pessoas que já chegaram aos estágios finais da doença, muitas vezes sem terem recebido ao menos um diagnóstico prévio.

Apesar de grave, a DRC é diagnosticável por meio de exames simples e amplamente disponíveis na rede pública e privada, como a dosagem de creatinina no sangue e a pesquisa de proteína na urina por amostra única. Pacientes com fatores de risco – diabéticos, hipertensos, idosos, pessoas com histórico familiar ou doenças autoimunes – deveriam realizar esses exames ao menos uma vez por ano. Mas quantos realmente o fazem? Quantos sequer sabem que esses exames existem e podem salvar anos de qualidade de vida? Pela experiência diária, arrisco dizer: muito poucos. E é justamente por isso que a conscientização é tão crucial para mudar esse cenário. O diagnóstico precoce permite intervenções capazes de retardar a progressão da doença e, em muitos casos, evitar que o paciente evolua para a diálise ou o transplante.

Se o futuro aponta para uma DRC entre as principais causas de morte no mundo, o presente exige ação. O enfrentamento dessa epidemia silenciosa passa necessariamente por conscientização, prevenção, rastreamento e acesso a tratamento adequado. Ignorar esse movimento seria aceitar que milhões de pessoas avancem, sem saber, em direção a uma condição grave, incapacitante e potencialmente fatal – justamente aquela cuja progressão a ciência já sabe como retardar.


*Bruno Zawadzki é nefrologista e vice-presidente de serviços médicos da DaVita Tratamento Renal.

Damos valor à sua privacidade

Nós e os nossos parceiros armazenamos ou acedemos a informações dos dispositivos, tais como cookies, e processamos dados pessoais, tais como identificadores exclusivos e informações padrão enviadas pelos dispositivos, para as finalidades descritas abaixo. Poderá clicar para consentir o processamento por nossa parte e pela parte dos nossos parceiros para tais finalidades. Em alternativa, poderá clicar para recusar o consentimento, ou aceder a informações mais pormenorizadas e alterar as suas preferências antes de dar consentimento. As suas preferências serão aplicadas apenas a este website.

Cookies estritamente necessários

Estes cookies são necessários para que o website funcione e não podem ser desligados nos nossos sistemas. Normalmente, eles só são configurados em resposta a ações levadas a cabo por si e que correspondem a uma solicitação de serviços, tais como definir as suas preferências de privacidade, iniciar sessão ou preencher formulários. Pode configurar o seu navegador para bloquear ou alertá-lo(a) sobre esses cookies, mas algumas partes do website não funcionarão. Estes cookies não armazenam qualquer informação pessoal identificável.

Cookies de desempenho

Estes cookies permitem-nos contar visitas e fontes de tráfego, para que possamos medir e melhorar o desempenho do nosso website. Eles ajudam-nos a saber quais são as páginas mais e menos populares e a ver como os visitantes se movimentam pelo website. Todas as informações recolhidas por estes cookies são agregadas e, por conseguinte, anónimas. Se não permitir estes cookies, não saberemos quando visitou o nosso site.

Cookies de funcionalidade

Estes cookies permitem que o site forneça uma funcionalidade e personalização melhoradas. Podem ser estabelecidos por nós ou por fornecedores externos cujos serviços adicionámos às nossas páginas. Se não permitir estes cookies algumas destas funcionalidades, ou mesmo todas, podem não atuar corretamente.

Cookies de publicidade

Estes cookies podem ser estabelecidos através do nosso site pelos nossos parceiros de publicidade. Podem ser usados por essas empresas para construir um perfil sobre os seus interesses e mostrar-lhe anúncios relevantes em outros websites. Eles não armazenam diretamente informações pessoais, mas são baseados na identificação exclusiva do seu navegador e dispositivo de internet. Se não permitir estes cookies, terá menos publicidade direcionada.

Visite as nossas páginas de Políticas de privacidade e Termos e condições.

Importante: A Medicina S/A usa cookies para personalizar conteúdo e anúncios, para melhorar sua experiência em nosso site. Ao continuar, você aceitará o uso. Veja nossa Política de Privacidade.