Pesquisa aponta R$ 5,7 bilhões em pagamentos não realizados na saúde

A Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (ABRAIDI) concluiu pesquisa anual que aponta graves e sistemáticas distorções no setor da saúde. O montante de pagamentos pendentes ou não realizados por clientes, planos de saúde ou hospitais chegou à marca de R$ 5,787 bilhões, a mais alta da série histórica desde que a entidade iniciou o levantamento, em 2017.

Nos últimos anos, a curva vem apresentando uma perigosa ascensão constante: em 2021, era de R$ 1,7 bilhão; em 2022, R$ 2,3 bilhões; em 2023, R$ 4 bilhões; e, em 2024, R$ 4,6 bilhões.

O desajuste fez com que 64% das empresas recorressem a empréstimos bancários para honrar pagamentos regulares, já que a postergação dos recebimentos provocou o comprometimento de 36% do faturamento. Os R$ 5,787 bilhões apurados dividem-se em três grandes distorções setoriais: R$ 2,077 bilhões relacionados à “retenção de faturamento”, quando a fonte pagadora não permite a cobrança após a realização de uma cirurgia previamente autorizada; R$ 167,17 milhões referentes a glosas injustificadas, quando planos de saúde e/ou hospitais postergam pagamentos mesmo com pré-autorização; e, por fim, R$ 3,543 bilhões em inadimplência.

“As terminologias de inadimplência e glosa são amplamente conhecidas pela população, e beneficiários de planos de saúde enfrentam glosas com certa frequência, como constatado em inúmeras reportagens”, explica o presidente da ABRAIDI, Sérgio Rocha. Segundo ele, 74% das empresas enfrentaram algum nível de glosa, sendo que 35% das contas suspensas já haviam sido aprovadas antecipadamente.

Sérgio Rocha

Para o executivo, a questão da inadimplência é extremamente preocupante, já que o saldo em relação ao ano anterior apresentou forte crescimento, representando um aumento de 71%. Em 2024, o valor era de R$ 2,069 bilhões; em 2023, R$ 1,422 bilhão; em 2022, R$ 950 milhões; e, em 2021, R$ 708 milhões. “Além de ser o maior volume de recursos não pagos desde que o indicador passou a ser monitorado, o resultado significou uma perda equivalente a 22% de tudo o que as empresas faturaram em 2025”, detalha o presidente.

Sérgio Rocha destaca que a deterioração de um ano para o outro foi muito elevada. No caso da “retenção de faturamento”, planos de saúde e hospitais impuseram prazo médio de 170 dias para autorizar a emissão da nota fiscal e do boleto para pagamento. “É como entrar em um mercado, retirar o produto da prateleira e informar ao comerciante que você só irá pagar cinco meses e vinte dias depois. Em resumo, é isso que acontece”, compara Sérgio Rocha.

“É importante observar que as distorções, retenção de faturamento, glosas e inadimplência, asfixiam o caixa das empresas. Também é fundamental situar o problema no contexto geral do país, marcado por baixo crescimento econômico e juros elevados. Além de recorrer a financiamentos caros para equilibrar o caixa, as empresas são pressionadas a aceitar condições comerciais que as colocam em risco e que estão em desacordo com a legislação, já que não é fiscalmente correto realizar um procedimento cirúrgico com utilização de materiais e produtos que não sejam devidamente faturados”, finaliza Sérgio Rocha.

Os dados consolidados da 9ª edição da pesquisa foram apresentados em fórum promovido pela ABRAIDI em 28 de abril.

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