Casos de malária caem no Brasil, mas diagnóstico tardio e vulnerabilidade social ainda desafiam meta de eliminação

Embora o país tenha registrado redução importante no número de casos nos últimos anos, a doença ainda permanece concentrada em territórios vulneráveis e depende de diagnóstico rápido para evitar complicações e interromper a transmissão.

Dados recentes do Ministério da Saúde apontam queda de aproximadamente 26% nos casos no primeiro trimestre de 2025, resultado de estratégias de vigilância, fortalecimento da atenção primária e ações específicas em áreas prioritárias. Ainda assim, especialistas alertam que a malária segue profundamente associada a desigualdades territoriais, barreiras de acesso à saúde e condições socioambientais.

A geografia da malária no Brasil

A malária apresenta distribuição desigual no território brasileiro. Cerca de 99% dos casos concentram-se na Região Amazônica, abrangendo estados como Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

Nessas regiões, a transmissão está associada a fatores como ocupação territorial, desmatamento, garimpo, migração populacional e presença de comunidades com menor acesso a serviços de saúde.

Populações indígenas, ribeirinhas, assentamentos rurais e áreas de garimpo estão entre os grupos mais vulneráveis. Dados recentes mostram redução de casos em áreas específicas de vigilância, incluindo garimpos e assentamentos, indicando impacto positivo das estratégias de monitoramento.

Em contraste, regiões como Sudeste, Sul e Nordeste concentram principalmente casos importados, geralmente relacionados a viagens para áreas endêmicas.

No Sudeste, outro desafio se destaca: a baixa suspeição clínica. Como a malária é menos frequente nessas regiões, os sintomas podem ser confundidos com dengue, viroses ou outras febres infecciosas, atrasando o diagnóstico e aumentando o risco de gravidade.

Quem são os mais afetados

O perfil epidemiológico da malária no Brasil evidencia maior incidência entre homens em idade produtiva, especialmente entre 20 e 59 anos.

Especialistas associam esse cenário à exposição ocupacional, sobretudo em atividades como garimpo, agricultura, extrativismo e deslocamentos frequentes para áreas de mata.

Do ponto de vista étnico-racial, populações pardas e indígenas concentram parcela importante dos casos, refletindo desigualdades históricas de acesso a serviços de saúde, diagnóstico e tratamento.

Outro grupo de atenção são gestantes, especialmente no terceiro trimestre da gravidez, quando a malária pode aumentar o risco de complicações maternas e fetais.

O desafio do diagnóstico precoce

A malária tem cura e o tratamento é disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ainda assim, um dos principais entraves para o controle da doença continua sendo o tempo entre o início dos sintomas e o diagnóstico.

Febre, calafrios, dor de cabeça e mal-estar podem ser confundidos com outras infecções, principalmente em áreas fora da Amazônia.

A recomendação é que o tratamento seja iniciado idealmente nas primeiras 48 horas após os sintomas, reduzindo o risco de complicações graves e interrompendo a cadeia de transmissão.

Em regiões remotas da Amazônia, a distância geográfica, a dificuldade de transporte e a escassez de profissionais treinados para diagnóstico microscópico dificultam esse processo.

Tafenoquina e o avanço no tratamento

O Brasil vem ampliando o acesso a novas estratégias terapêuticas, incluindo a incorporação da tafenoquina no Sistema Único de Saúde.

A medicação representa um avanço importante no tratamento da malária causada pelo Plasmodium vivax, permitindo esquema em dose única para prevenção de recaídas.

No entanto, o uso da tafenoquina exige a realização prévia do teste de G6PD, exame que identifica uma deficiência genética relacionada ao risco de anemia hemolítica.

A ampliação dessa tecnologia para municípios do interior e regiões remotas ainda representa um desafio logístico e estrutural para a rede pública.

A meta de eliminação até 2035

O Plano Nacional de Eliminação da Malária estabelece metas ambiciosas para os próximos anos, incluindo a interrupção da transmissão autóctone e redução progressiva dos casos até 2035.

Entre os objetivos intermediários estão a eliminação dos casos por Plasmodium falciparum, redução expressiva da transmissão local e manutenção de zero óbitos evitáveis.

Especialistas destacam que a sustentabilidade dessas metas depende da continuidade dos investimentos em vigilância, acesso ao diagnóstico, proteção ambiental e fortalecimento das equipes de saúde em territórios vulneráveis.

Informação que salva vidas

Apesar dos avanços, especialistas reforçam que a malária continua sendo uma doença sensível à desigualdade social e ao acesso à informação.

A conscientização sobre sintomas, a busca precoce por atendimento e a qualificação dos profissionais de saúde são fatores essenciais para evitar mortes e reduzir a circulação da doença.

Mais do que combater o mosquito transmissor, controlar a malária exige presença contínua do sistema de saúde nos territórios mais vulneráveis.

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