Coordenação do cuidado acelera diagnóstico oncológico
Por Nina Maia Pinheiro de Abreu
Em oncologia, o tempo vai além de um indicador operacional. É um fator determinante para prognóstico, custo e, muitas vezes, sobrevida. Tornar o diagnóstico mais ágil passa, necessariamente, por três movimentos: reduzir a fragmentação da jornada, ampliar o seguimento dos pacientes e fortalecer a coordenação do cuidado. Nessa direção, a Hapvida vem estruturando seu modelo assistencial. Com um programa próprio de navegação oncológica, a companhia conseguiu reduzir em 75% o tempo entre o achado suspeito e a confirmação diagnóstica, encurtando o intervalo de 136 para 36 dias.
Mais do que um ganho de eficiência, o resultado aponta para uma mudança de lógica: a jornada deixa de depender unicamente da iniciativa do paciente e passa a ser compartilhada ativamente pelo sistema de saúde.
A tecnologia identifica, mas não resolve sozinha. O que resolve é coordenação. Acelerar o diagnóstico exige garantir continuidade ao longo de toda a jornada. Após um achado suspeito, é fundamental que o paciente compreenda o resultado, avance na investigação e permaneça engajado no cuidado.
Para viabilizar esse modelo, a Hapvida estruturou três frentes integradas que operam de forma contínua: Captação, Navegação e Retenção.
Na Captação, a identificação de casos suspeitos combina a avaliação do radiologista com uma camada de Processamento de Linguagem Natural, capaz de analisar laudos em tempo real e reconhecer padrões de risco em escala.
A partir daí, entra o núcleo de Navegação. Equipes multiprofissionais, formadas por enfermeiros navegadores, assistentes sociais e coordenadores de cuidado, passam a conduzir ativamente o paciente, garantindo acesso, compreensão e adesão ao plano diagnóstico.
Já a Retenção funciona como uma camada permanente de monitoramento. Sempre que há risco de descontinuidade, o sistema intervém para manter o paciente dentro da jornada. O modelo parte de um princípio simples: a responsabilidade pela continuidade também é do sistema. Se o paciente não vem, nós vamos até ele.
Ao encurtar o tempo até o diagnóstico, o modelo amplia o potencial de identificação precoce dos casos, com impacto direto sobre desfechos clínicos e uso mais eficiente dos recursos assistenciais. Esse movimento dialoga com uma das principais agendas da saúde suplementar hoje: equilibrar qualidade e sustentabilidade em um cenário de pressão crescente sobre custos. Ao assumir um papel mais ativo na coordenação do cuidado, a operadora avança para além da lógica tradicional e passa a atuar como gestora da jornada em escala.
Em suma, planejar a jornada permite que o cliente não se perca nela.
*Nina Maia Pinheiro de Abreu é neurorradiologista e diretora médica de Qualidade e Inovação do Diagnóstico da Hapvida.

