Câncer infantojuvenil: meninos são maioria nos diagnósticos

O câncer infantojuvenil segue apresentando diferenças importantes entre meninos e meninas em São Paulo. Um levantamento do NAPO, do Serviço de Oncologia Pediátrica do Santa Marcelina Saúde, em parceria com a TUCCA, identificou que 58,2% dos casos oncológicos pediátricos analisados ocorreram em pacientes do sexo masculino atendidos pelo serviço. O estudo também aponta que a leucemia linfoblástica aguda (LLA) permanece como o tipo de câncer mais frequente tanto entre meninos quanto entre meninas.

Os dados reforçam um padrão já observado em estudos epidemiológicos nacionais e internacionais sobre câncer infantojuvenil, especialmente nas leucemias, principal grupo de tumores diagnosticados na infância.

O levantamento ajuda a caracterizar o perfil dos pacientes atendidos em um dos principais centros de referência em oncologia pediátrica do estado de São Paulo, reforçando como sexo, faixa etária e tipo tumoral influenciam o comportamento da doença e as necessidades assistenciais.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar 7.560 novos casos de câncer infantojuvenil por ano entre 2026 e 2028. Desse total, 3.960 casos devem ocorrer em meninos e 3.600 em meninas.

Para o oncologista pediátrico Sidnei Epelman, coordenador do Serviço de Oncologia Pediátrica do Santa Marcelina Saúde e presidente da TUCCA, compreender o perfil epidemiológico da doença é fundamental para aprimorar estratégias de diagnóstico e assistência.

“Quando analisamos os dados de forma aprofundada, conseguimos entender padrões importantes da doença, identificar vulnerabilidades e estruturar melhor o cuidado. O câncer infantojuvenil exige rapidez no diagnóstico e acesso a centros especializados capazes de oferecer tratamento multidisciplinar completo”, afirma.

Crédito da imagem: www.medicinasa.com.br (proibida a reprodução sem autorização)
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Leucemias seguem como principal diagnóstico na infância

As leucemias continuam sendo o tipo de câncer mais comum em crianças e adolescentes. Entre elas, a leucemia linfoblástica aguda concentra a maior parte dos diagnósticos pediátricos.

No recorte analisado pelo NAPO, a LLA representou o diagnóstico mais frequentemente observado na amostra analisada em ambos os sexos, seguindo a tendência observada em bases de dados nacionais e internacionais.

De acordo com o INCA, as leucemias, os linfomas e os tumores do sistema nervoso central estão entre as neoplasias mais frequentes na população infantojuvenil brasileira. A LLA se caracteriza pela produção descontrolada de células imaturas na medula óssea e costuma apresentar evolução rápida. Quando diagnosticada precocemente e tratada em centros especializados com protocolos modernos, as taxas de cura podem ultrapassar 80%, segundo o próprio instituto.

Entre os sinais que merecem atenção estão palidez que não melhora, febre recorrente, manchas roxas sem motivo, dores ósseas, cansaço fora do comum e sangramentos frequentes.

“Os tumores pediátricos têm comportamentos muito diferentes dos cânceres em adultos. Em muitos casos, são doenças agressivas, mas altamente responsivas ao tratamento. O problema é que os sintomas iniciais podem ser confundidos com doenças comuns da infância, o que muitas vezes atrasa a investigação”, explica Epelman.

Meninos têm mais casos de câncer pediátrico, mas a ciência ainda busca entender por quê

Embora as razões para a maior incidência de câncer em meninos ainda sejam tema de investigação científica, estudos internacionais já demonstraram predominância masculina em diversos tumores pediátricos, especialmente nas leucemias. Especialistas apontam que fatores biológicos, imunológicos e genéticos podem contribuir para essas diferenças, embora ainda não exista uma explicação única e definitiva.

Os dados do NAPO também mostram como o perfil epidemiológico do câncer infantojuvenil pode variar entre diferentes grupos, o que ajuda a orientar estratégias de assistência, investigação clínica e planejamento em saúde pública. Para o Dr. Neviçolino Pereira de Carvalho Filho, oncologista pediátrico e coordenador do NAPO, compreender essas diferenças é fundamental para aprimorar a forma como os serviços de saúde se preparam para atender crianças e adolescentes com câncer.

“Quando analisamos características como sexo, idade e tipos de tumores mais frequentes, conseguimos identificar padrões que ajudam a direcionar recursos, estruturar linhas de cuidado e fortalecer a pesquisa em oncologia pediátrica. Esses dados são ferramentas importantes para entender a realidade dos pacientes e melhorar continuamente a assistência oferecida”, afirma.

Além de apontar predominância masculina, o levantamento do NAPO evidencia a necessidade de ampliar a produção de dados em oncologia pediátrica no país, uma área que ainda carece de dados de base populacional. A relevância desse monitoramento é reforçada pelo fato de o câncer já ser a principal causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos no Brasil, segundo o INCA.

“Dados epidemiológicos são essenciais para orientar políticas públicas e melhorar a resposta do sistema de saúde. Sem informação de qualidade, o diagnóstico precoce também fica comprometido”, conclui Neviçolino.

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