Existe estratégia para a tecnologia na cadeia de suprimentos?
Por Michael Almeida
A operação hospitalar começa antes mesmo do atendimento ao paciente. Muitas vezes, é nos bastidores da cadeia de suprimentos e do almoxarifado que se concentram os principais gargalos, capazes de comprometer eficiência, custos e até a segurança assistencial.
Em 2026, diante de um cenário de alta complexidade, pressão financeira e crescente demanda por qualidade, a discussão deixa de ser apenas sobre a adoção de tecnologia e passa a se concentrar em usá-las de forma estratégica para gerar valor real.
Nesse contexto, torna-se evidente que eliminar gargalos exige mais do que a digitalização de processos isolados. Historicamente vistas como áreas operacionais, responsáveis “apenas” por compras e controle de estoque, as áreas de suprimentos e almoxarifado passam, agora, a assumir um papel ainda mais estratégico.
Isso ocorre porque, a partir de agora, a interoperabilidade deixa de ser um diferencial e passa a ser condição essencial para a eficiência. Ao mesmo tempo, a adoção de ferramentas de análise de dados e inteligência artificial começam a permitir previsões mais precisas de demanda, melhor controle de estoques e uso mais eficiente dos recursos.
Apesar dessa evolução, muitas instituições ainda operam com processos fragmentados, o que mantém problemas recorrentes, como a falta de rastreabilidade e o excesso ou a ruptura de estoques.
Um dos principais entraves está justamente na ausência de integração entre sistemas. Plataformas que não se comunicam criam lacunas de informação, dificultam a tomada de decisão e aumentam retrabalho e riscos operacionais.
Diante da realidade na qual a ocorrência de falhas pode impactar diretamente o cuidado ao paciente, eliminar gargalos na cadeia de suprimentos deixa de ser apenas uma questão operacional para se consolidar como prioridade processual para a sustentabilidade financeira e assistencial das instituições de saúde.
*Michael Almeida é gerente comercial da Apoio Cotações.

