Melanoma avançado concentra tratamentos complexos e de alto custo

O melanoma, tipo mais agressivo de câncer de pele, responde pela maior parte das mortes entre os tumores cutâneos, embora represente uma parcela menor dos casos. Nos estágios avançados, o tratamento é complexo e pode envolver terapias de alto custo. As informações constam do novo estudo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), “Melanoma na Saúde Suplementar: Revisão da Evidência e Análise do Uso de Imunoterapia e Impacto Econômico Potencial”.

O trabalho identificou, com base em dados do Registro Hospitalar de Câncer da Fundação Oncocentro de São Paulo (FOSP), que entre 2015 e 2024 foram registrados 4,81 mil diagnósticos de melanoma em pacientes atendidos por planos de saúde no Estado de São Paulo. Desses, 91,4% foram identificados em estágios iniciais ou in situ – quando o tumor ainda está restrito à camada mais superficial da pele.

Outros 294 casos (6,1%) foram classificados nos estágios III e IV – faixa em que a doença se torna mais complexa e exige terapias sistêmicas. Diferentemente de outros cânceres de pele, como os carcinomas basocelular e espinocelular – mais frequentes e, em geral, menos agressivos – o melanoma apresenta maior capacidade de disseminação e evolução clínica mais complexa.

Esse contraste entre diagnóstico precoce e doença avançada ajuda a explicar as diferenças na complexidade do tratamento.

Imunoterapia e novos desafios

Nos casos avançados, o tratamento do melanoma passou por mudanças relevantes nos últimos anos, com a introdução da imunoterapia – especialmente com medicamentos como nivolumabe e pembrolizumabe, que estimulam o sistema imunológico a atacar o tumor. Esses fármacos atuam liberando a resposta imunológica do organismo, permitindo que ele reconheça e combata as células cancerígenas e mudando o padrão de tratamento do melanoma avançado. Embora apresentem mecanismos de ação semelhantes, diferem nos esquemas de uso e custo.

Na prática, são terapias intravenosas (administradas na veia), de uso prolongado, que podem se estender por meses ou anos. Considerando o número de casos potencialmente elegíveis à imunoterapia, o impacto econômico potencial, estimado com base nesses pacientes e em cenários de tratamento, varia de R$ 3,32 milhões a R$ 6,80 milhões por ano em cenários com nivolumabe e de R$ 4,95 milhões a R$ 10,13 milhões com pembrolizumabe. No acumulado de 2015 a 2024, a estimativa total varia de R$ 44,41 milhões a R$ 66,15 milhões na saúde suplementar do Estado de São Paulo.

“O diagnóstico precoce muda completamente a trajetória da doença. Quando o melanoma é identificado cedo, as chances de resolução são muito maiores. Nos casos avançados, o cuidado se torna mais complexo e exige outra estrutura assistencial”, afirma o superintendente executivo do IESS, Denizar Vianna.

Sobrevida e cuidado

O estudo destaca evidências consistentes de melhora de sobrevida e resposta clínica com o uso dessas terapias. “A imunoterapia representa um avanço importante na oncologia, especialmente para pacientes com doença avançada, ao ampliar as possibilidades de controle do tumor”, destaca Denizar.

Ao mesmo tempo, essas terapias demandam acompanhamento contínuo e estão associadas a maior complexidade assistencial, o que reforça a necessidade de organização do cuidado e monitoramento dos pacientes ao longo do tratamento.

Para o IESS, os resultados indicam que o enfrentamento do melanoma deve considerar toda a trajetória do paciente, desde a detecção precoce até o manejo dos casos mais graves. “O estudo mostra que prevenção, diagnóstico precoce e tratamento fazem parte de uma mesma lógica de cuidado, que precisa ser integrada para melhorar os desfechos dos pacientes”, afirma Denizar.

O IESS reforça que compreender o perfil clínico e assistencial da doença contribui para qualificar o debate sobre o uso das tecnologias disponíveis e a organização do sistema de saúde.

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