Vacina contra o HPV diminui em até 58% casos de câncer de colo de útero

Cerca de 54,4% das mulheres que iniciaram a vida sexual possuem o HPV, vírus popularmente conhecido por afetar regiões da pele, mucosas e genitália. Mas, desde 2014, o Brasil tornou disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) a vacina contra o vírus, despertando esperança para as novas gerações de jovens e portadores da doença. Um novo estudo publicado pela revista The Lancet Global Health mostrou que a vacinação contra o vírus reduz o risco de desenvolvimento de câncer de colo de útero.

A análise, conduzida por pesquisadores brasileiros da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com apoio da Royal Society, do Reino Unido, e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), avaliou mulheres de 20 a 24 anos no período de 2019 a 2023. Os resultados evidenciaram uma redução de 58% de casos de câncer de colo de útero e 67% de lesões pré-tumorais nessas pacientes que iniciaram a imunização na juventude, diferentemente das mulheres nascidas de 1994 a 2000, que não tiveram a chance de vacinação, devido ao imunizante não estar disponível na rede pública na época.

Esses efeitos positivos da vacinação são resultados de fatores sanitários e sociais, explica a ginecologista Silvana Maria Quintana, professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP: “Existe o fato de as pessoas estarem mais conscientes e buscarem ajuda na rede pública para isso, mas a ampliação da cobertura vacinal e o diagnóstico precoce são as reais consequências desse resultado”, diz.

Crédito da imagem: www.medicinasa.com.br (proibida a reprodução sem autorização)
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Defesa imunológica

O vírus, contraído por vias sexuais, não causa somente sintomas na pele. Em casos extremamente graves, o HPV pode desencadear diferentes tipos de câncer em homens e mulheres. “Existem centenas de tipos de HPV, alguns deles são mais perigosos que outros. Uns dão verrugas na pele e outros estão associados a formas de câncer, particularmente câncer de colo de útero, pênis, boca, orofaringe e na região anal. O grupo de risco são aqueles que não utilizam métodos contraceptivos e que não tomaram a imunização na juventude”, alerta o infectologista e professor Fernando Bellissimo Rodrigues (FMRP).

Ele explica que a vacina cria uma barreira imunológica contra o HPV. “A vacina contém proteínas de alguns tipos de HPV mais perigosos. Ao se imunizar, o imunizante induz a formação de anticorpos que impedem a pessoa de se infectar pelo vírus quando se expõe, especialmente por via sexual”, explica.

Vacinas disponíveis para meninos

A vacina, que antes era aplicada em duas doses somente em meninas, passou a ser recomendada para meninos, segundo o Ministério da Saúde. Hoje com apenas uma única dose, meninas e meninos de 9 a 14 anos podem se vacinar gratuitamente pelo SUS. A professora reforça o quanto isso é importante para a população brasileira. “Ao imunizar esses meninos que se tornarão futuros homens, a vacina reduz a circulação do vírus na comunidade. Quanto mais pessoas protegidas, menos HPV circulante terá”, informa Silvana.

Barreiras sociais

Apesar dos grandes avanços na cobertura vacinal, a saúde pública enfrenta o problema de lidar com mitos e crenças decorrentes de informações falsas. A ginecologista enfatiza que muitas pacientes pensam que a vacina pode causar sérios problemas de saúde. “As mulheres me relatam o medo de vacinar suas filhas por conta das reações adversas.”

Ela fala sobre um mito muito comum observado em sua rotina médica: “As mães das adolescentes me perguntam: ‘Se eu vacinar minha filha, ela vai começar a ter relação sexual?’. Ou seja, essas mulheres acreditam que a vacina incentiva o início da vida sexual nessas jovens. Eu sempre explico para elas que isso não é verdade, que a vacina previne doenças, como o câncer de colo de útero”.

Outra dúvida muito comum, aponta a especialista, é sobre a realização do exame Papanicolau após tomar a vacina. “As pacientes também me perguntam: ‘Se eu tomar a vacina, não preciso mais fazer o exame Papanicolau?’ Eu respondo que o exame é extremamente fundamental para detecção do câncer cervical e que apenas tomar a vacina não é suficiente para prevenção.”

Para Silvana, o principal obstáculo é levar informação verdadeira e de qualidade para a população. “O maior desafio hoje não é ter uma ferramenta, um exame, mas sim garantir informação de qualidade e acesso ao sistema de saúde”, enfatiza. Bellissimo também ressalta a necessidade de aplicar medidas efetivas para conter a proliferação do vírus. “Estimular a adesão à vacinação, realizar campanhas educativas junto ao Ministério da Saúde e instruir profissionais da saúde para orientar melhor o paciente são algumas das medidas para, nas próximas décadas, caminharmos para a erradicação do vírus. Se conseguirmos uma vacinação ampla dos adolescentes e das crianças, em um futuro próximo podemos eliminar essas formas de câncer que estão associadas à infecção pelo HPV”, destaca. (Com informações do Jornal da USP)

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