Trabalho remoto estaria impactando a saúde mental
Desde a pandemia, trabalhar de casa tornou-se rotina para milhões de profissionais, situação que a princípio pode parecer muito vantajosa para essas pessoas.
Mas os resultados de uma pesquisa publicados na edição de quatro de junho da revista Science apontam que essa modalidade de trabalho pode estar ligada ao aumento de problemas de saúde mental.
A pesquisa analisou os dados obtidos em cinco grandes levantamentos efetuados nos Estados Unidos entre 2011 e 2024, em que foram ouvidos cerca de 580 mil trabalhadores.
Os pesquisadores concluíram que o avanço do trabalho remoto intensificou a sensação de isolamento social e pode explicar cerca de um terço do crescimento dos casos de sofrimento psicológico registrados desde a pandemia.
Profissionais de determinadas áreas, onde grande parte do trabalho é remoto, como desenvolvimento de software e algumas funções administrativas, passaram 58% mais horas trabalhando sozinhos do que aqueles em ocupações predominantemente presenciais.
A probabilidade de passar um dia inteiro sem contato humano presencial aumentou em 72%; entre pessoas que vivem sozinhas, o impacto foi ainda maior: elas relataram mais dias sem interação social e níveis significativamente mais altos de sofrimento mental, levando-os a aumentar o uso de antidepressivos e buscar mais os serviços de saúde mental.
Para muitos adultos, o ambiente de trabalho é um dos poucos lugares onde há interação regular fora do círculo familiar. Conversas informais, reuniões de equipe e intervalos para o café podem parecer triviais, mas desempenham um papel importante na manutenção de vínculos sociais.
O estudo não sugere que empresas devam obrigar todos a voltar ao escritório em tempo integral, porém alerta para a necessidade de repensar como manter conexões sociais significativas em um cenário em que o trabalho remoto ou híbrido segue sendo comum, embora muitas empresas venham incentivado ou até mesmo exigindo a volta ao trabalho presencial por julgarem ser essa uma forma de obter maior produtividade.
*Vivaldo José Breternitz é Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, professor, consultor e membro da Congregação da Faculdade de Medicina de Jundiaí.

