Testes respiratórios no diagnóstico das doenças gastrointestinais

Por Raphael Matsunaga

Durante décadas, a investigação das doenças gastrointestinais esteve baseada principalmente na identificação de alterações estruturais, por meio de exames como endoscopia, colonoscopia e métodos de imagem. Esses recursos seguem fundamentais para o diagnóstico de doenças orgânicas.

No entanto, na prática clínica cotidiana, um grande contingente de pacientes apresenta sintomas persistentes, como distensão abdominal, dor, alterações do hábito intestinal e desconforto após as refeições, sem achados anatômicos compatíveis. E tudo isso prolonga o diagnóstico e impacta negativamente, tanto pela experiência do paciente quanto a eficiência do sistema de saúde.

Nesse contexto, os testes respiratórios passam a ocupar um espaço estratégico como ferramentas diagnósticas funcionais, pois oferecem informações que os exames tradicionais não capturam, já que é diferente dos métodos voltados à detecção de lesões. Eles analisam gases exalados (como hidrogênio, metano e, mais recentemente, sulfeto de hidrogênio), que são produzidos a partir da atividade metabólica da microbiota intestinal.

Alterações nos perfis desses gases ao longo do tempo sinalizam desequilíbrios na interação entre microbiota, digestão e motilidade intestinal, permitindo a identificação de condições funcionais que não se manifestam em exames convencionais, como o supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO) e o supercrescimento metanogênico intestinal (IMO).

Os testes respiratórios também têm papel relevante na investigação de intolerâncias alimentares, como lactose, frutose, frutanos, sacarose, sorbitol, xilitol e D-xilose, que figuram entre as causas mais comuns de sintomas gastrointestinais recorrentes.

A confirmação dessas condições possibilita intervenções nutricionais mais direcionadas, evitando restrições alimentares amplas e desnecessárias, que frequentemente comprometem o estado nutricional e a adesão ao tratamento.

Avanços tecnológicos recentes ampliaram significativamente o potencial dos testes respiratórios. Um estudo do American Journal of Gastroenterology avaliou 731 pacientes submetidos a esse tipo de exame para a investigação de SIBO e IMO, destacando o método como relevante para o diagnóstico dessas condições, ao medir diretamente os gases produzidos durante o metabolismo intestinal.

À medida que a medicina avança, os testes respiratórios se consolidam como ferramentas complementares importantes na abordagem das doenças intestinais e funcionais. Para gestores e lideranças em saúde, esse cenário representa a oportunidade de alinhar inovação diagnóstica à qualificação das linhas de cuidado, reduzir o uso de recursos desnecessários e fortalecer modelos assistenciais mais resolutivos e centrados no paciente.


*Raphael Matsunaga é CEO da healthtech HealthGo.

Damos valor à sua privacidade

Nós e os nossos parceiros armazenamos ou acedemos a informações dos dispositivos, tais como cookies, e processamos dados pessoais, tais como identificadores exclusivos e informações padrão enviadas pelos dispositivos, para as finalidades descritas abaixo. Poderá clicar para consentir o processamento por nossa parte e pela parte dos nossos parceiros para tais finalidades. Em alternativa, poderá clicar para recusar o consentimento, ou aceder a informações mais pormenorizadas e alterar as suas preferências antes de dar consentimento. As suas preferências serão aplicadas apenas a este website.

Cookies estritamente necessários

Estes cookies são necessários para que o website funcione e não podem ser desligados nos nossos sistemas. Normalmente, eles só são configurados em resposta a ações levadas a cabo por si e que correspondem a uma solicitação de serviços, tais como definir as suas preferências de privacidade, iniciar sessão ou preencher formulários. Pode configurar o seu navegador para bloquear ou alertá-lo(a) sobre esses cookies, mas algumas partes do website não funcionarão. Estes cookies não armazenam qualquer informação pessoal identificável.

Cookies de desempenho

Estes cookies permitem-nos contar visitas e fontes de tráfego, para que possamos medir e melhorar o desempenho do nosso website. Eles ajudam-nos a saber quais são as páginas mais e menos populares e a ver como os visitantes se movimentam pelo website. Todas as informações recolhidas por estes cookies são agregadas e, por conseguinte, anónimas. Se não permitir estes cookies, não saberemos quando visitou o nosso site.

Cookies de funcionalidade

Estes cookies permitem que o site forneça uma funcionalidade e personalização melhoradas. Podem ser estabelecidos por nós ou por fornecedores externos cujos serviços adicionámos às nossas páginas. Se não permitir estes cookies algumas destas funcionalidades, ou mesmo todas, podem não atuar corretamente.

Cookies de publicidade

Estes cookies podem ser estabelecidos através do nosso site pelos nossos parceiros de publicidade. Podem ser usados por essas empresas para construir um perfil sobre os seus interesses e mostrar-lhe anúncios relevantes em outros websites. Eles não armazenam diretamente informações pessoais, mas são baseados na identificação exclusiva do seu navegador e dispositivo de internet. Se não permitir estes cookies, terá menos publicidade direcionada.

Visite as nossas páginas de Políticas de privacidade e Termos e condições.

Importante: A Medicina S/A usa cookies para personalizar conteúdo e anúncios, para melhorar sua experiência em nosso site. Ao continuar, você aceitará o uso. Veja nossa Política de Privacidade.