Teleorientação farmacêutica fortalece adesão ao tratamento de crianças
Um estudo do Instituto da Criança e do Adolescente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP) investiga a importância da digitalização da assistência clínica no Sistema Único de Saúde (SUS) para garantir a segurança de pacientes pediátricos. Os resultados mostram que a teleorientação farmacêutica é uma ferramenta importante para promover a adesão ao tratamento e oferecer suporte contínuo às famílias.
As farmacêuticas Rayane Félix Jesus Soares e Rosane Santos de Souza, responsáveis pela pesquisa, atuam na farmácia clínica do Instituto da Criança. As pesquisadoras explicam que o principal objetivo era desenvolver uma ferramenta capaz de melhorar a adesão aos medicamentos.
“Aqui no Instituto da Criança, temos pacientes com doenças raras que passam por diversas especialidades médicas e acabam utilizando muitos medicamentos simultaneamente. Eles enfrentam dificuldades para compreender os horários corretos das medicações, as quais não podem ser administradas juntas devido a interações, e a importância de seguir o tratamento adequadamente.”

Rayane conta que, quando implementaram a teleorientação, o objetivo era promover a adesão. “Com o tempo, percebemos que poderíamos ampliar esse atendimento, porque não eram apenas esses pacientes que buscavam esse monitoramento”, explica Rayane, acrescentando que a necessidade de expansão surgiu também a partir do compartilhamento de informações entre familiares de pacientes.
“Por ser um hospital de grande porte, os familiares criam vínculos entre si, formam grupos e compartilham experiências. Assim, identificamos a necessidade de incluir outros perfis de pacientes nesse acompanhamento”, destaca a farmacêutica.
Apoio às famílias e integração das equipes
As pesquisadoras relatam que muitas famílias demonstravam insegurança em relação ao tratamento, apresentando dúvidas sobre a administração dos medicamentos, a disponibilidade dos remédios na rede pública, possíveis interações medicamentosas e reações adversas.
Rosane explica que o estudo buscou avaliar o alcance e a relevância do atendimento oferecido pela farmácia clínica, além de identificar as principais demandas atendidas pela ferramenta. “A partir dos registros realizados nos prontuários após cada atendimento, conseguimos analisar as principais necessidades apresentadas pelos familiares e contribuir para a resolução de problemas relacionados à terapia medicamentosa”, afirma.
De acordo com a pesquisadora, a teleorientação também facilita o trabalho multiprofissional. Quando os pacientes relatam reações adversas, por exemplo, as equipes farmacêutica e médica podem discutir conjuntamente as melhores estratégias para dar continuidade ao tratamento. Além disso, o serviço contribui para a construção de uma relação de confiança entre os profissionais de saúde e as famílias.
Segundo as farmacêuticas, a teleorientação permite um acompanhamento individualizado, já que cada criança apresenta necessidades específicas e exige cuidados adaptados à complexidade de seu tratamento. (Com informações do Jornal da USP)

