A tecnologia como aliada no combate à hipertensão arterial

Por Diandro Marinho Mota

Nesta semana em que ocorre o Dia Nacional da Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial (26/4) não há como deixar de lembrar de alguns números alarmantes das doenças que mais matam no mundo: o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e o Acidente Vascular Cerebral (AVC), popularmente conhecido como “derrame”. De acordo com dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2019, a cardiopatia isquêmica matou 8.9 milhões de pessoas no mundo e, a doença cerebrovascular, 6.2 milhões. O infarto e o AVC são os principais representantes, respectivamente, desses grupos de doença.

No Brasil, estima-se um total de 171 mil mortes por cardiopatia isquêmica e 130 mil por doença cerebrovascular em 2019, de acordo com dados do estudo Global Burden of Diseases. Os números são alarmantes, dado o conhecimento que já temos sobre os principais fatores de risco para a ocorrência de doenças cardiovasculares.

Como cardiologista, posso afirmar que aproximadamente 90% dos casos de primeiro infarto ou derrame poderiam ser evitados se fizéssemos a prevenção adequada, tratando fatores de risco, dentre eles a hipertensão, considerado o maior de todos para os eventos cardiovasculares.

No Brasil, aproximadamente 35% da população é hipertensa, segundo dados do Ministério da Saúde. O mais triste do ponto de vista médico é que aproximadamente 50% dos indivíduos hipertensos não sabem que o são. Dos que sabem, metade não trata e, a outra, dificilmente atinge as metas de acompanhamento preconizadas pelos médicos. O resultado disto é revelado por números: a hipertensão é responsável por 40% dos infartos e 80% dos derrames ocorridos em nosso país. Gostaria muito de mudar esse cenário, além de fornecer oportunidades de tratamento e garantir o engajamento dos pacientes hipertensos.

Ao longo da pandemia, percebemos o quanto as pessoas deixaram de fazer o seu check-up e de realizar os exames de acompanhamento, como o Eletrocardiograma (ECG) e a Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA). É claro que não devemos nos expor neste momento, mas é papel dos gestores de saúde, empresários da área, healthtechs, dentre outros, buscar contornar esse problema oferecendo a realização de exames onde o paciente está, evitando exposição e deslocamentos desnecessários.

Uma iniciativa muito interessante com a liberação de novas modalidades de Telemedicina pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), em 2020, trata-se da possibilidade de realização de alguns exames nas farmácias brasileiras. Sem dúvida, a possibilidade de análise de exames à distância por um cardiologista é capaz de diminuir as fronteiras da saúde, colocando o paciente no centro e fornecendo um diagnóstico rápido.

O uso das novas tecnologias e da Telemedicina na Saúde, sem dúvida, é um caminho sem volta para entregar saúde de qualidade para milhões de brasileiros, ajudando, assim, a combater doenças como a Hipertensão Arterial.


*Diandro Marinho Mota é Diretor Médico da Neomed.