Realidade virtual auxilia na reabilitação de pacientes no Hospital de Base
“A primeira vez que usei os óculos e vi que estava em uma praia não consegui segurar a emoção e me veio muitas memórias boas”. É com essas palavras que Raphaela Alves conta a sensação de usar os óculos de realidade virtual no tratamento de fisioterapia do Hospital de Base (HB), de São José do Rio Preto. “A gente tem um alívio, diminui a preocupação ao ver paisagens quando fazemos os exercícios, é muito bom”, conta a paciente.
Natural de Cuiabá-MT, Raphaela teve uma doença hepática e precisou de um transplante de fígado, realizado com sucesso no dia 16 de janeiro de 2026. Após o procedimento, ela precisou permanecer em UTI para recuperação e, com o auxílio da tecnologia virtual, aliada a outros dispositivos como eletroestimulação e equipamentos projetados para o fortalecimento muscular, foi possível reabilitá-la para o retorno de suas atividades diárias.
Marcos Vinicius, fisioterapeuta do HB ressalta a importância de dispositivos como estes na reabilitação dos pacientes em UTI. “Quando o paciente fica imóvel, nós o classificamos dentro de um diagnóstico de síndrome da imobilidade. A síndrome da imobilidade leva a fraqueza adquirida na UTI. Então, quando o paciente não tem ativação do sistema neuromuscular, perde pode dia por volta de 3% de força muscular. Com o uso da realidade virtual, a gente consegue otimizar o nosso tratamento e ter uma adesão maior, com mais tempo na sessão e extrair o máximo da performance, consequentemente diminuindo o tempo de internação tanto na UTI quanto no hospital de forma significativa”, ressalta Marcos.
Profissionais capacitados
Fundamental para garantir a recuperação funcional dos pacientes, a Funfarme conta com 318 profissionais de fisioterapia atuando de forma estratégica em diversas frentes, abrangendo desde os setores críticos, enfermarias e UTIs do Hospital de Base, Hospital da Criança e Maternidade (HCM), Hospital Municipal de Rio Preto (HM), até o atendimento especializado no Instituto de Reabilitação Lucy Montoro e outras áreas do complexo.
Como único hospital de Rio Preto a ter esse equipamento, um dos destaques do serviço do HB é a utilização de eletroestimulação, uso de correntes elétricas de baixa intensidade, aplicadas através de eletrodos colados na pele, para provocar uma reação no sistema nervoso ou nos músculos. Ela auxilia na manutenção e ganho de força muscular em pacientes críticos, contribuindo diretamente para uma redução significativa no tempo de internação tanto na UTI quanto nas demais unidades hospitalares.
Outro destaque são os óculos de realidade virtual, uma tecnologia relativamente recente no cenário da saúde brasileira e que tem sido essencial no tratamento de pacientes em unidades de terapia intensiva. O objetivo primordial desta ferramenta é proporcionar um teletransporte sensorial do paciente da UTI para outro ambiente, considerando que o leito crítico é frequentemente percebido como um local hostil, impessoal e intimidador.
Ao imergir em uma realidade virtual, o paciente consegue superar o medo causado pelas monitorizações cardíacas e de pressão, o que gera uma adesão muito maior ao tratamento e permite que o fisioterapeuta extraia o máximo da performance física do indivíduo durante as sessões.
A realidade virtual atua reduzindo a ansiedade e a percepção de dor. Essa tecnologia otimiza o processo de reabilitação sem substituir as técnicas clássicas, servindo como uma ferramenta complementar à mobilização precoce, que consiste na retirada do paciente do leito o mais rápido possível.
Alta hospitalar otimizada
Marcos Vinicius comenta ainda sobre os benefícios da atuação precoce dos profissionais de fisioterapia junto aos pacientes críticos. “Com o tempo de internação hospitalar menor graças ao uso das tecnologias e equipamentos, também há menor risco de infecções, de eventos adversos, menor custos hospitalares e menor o uso de antibióticos pelo paciente. Então, os benefícios vão se somando resultando em menor morbidade e uma maior sobrevida destes pacientes. Quando a gente começa a intervir de maneira bastante precoce, que o próprio nome da técnica diz, mobilização precoce, a gente faz a mitigação de tudo isso citado.


