Como os algoritmos viabilizam o rastreio precoce de doenças
Por Andréa Ribas
A medicina preditiva representa a próxima revolução na área da saúde, oferecendo a possibilidade de antecipar informações e personalizar tratamentos antes do surgimento dos sintomas ou do agravamento de determinadas doenças. A abordagem se baseia em algoritmos que integram as informações clínicas, bioquímicas, ambientais, estilo de vida e histórico familiar. Os resultados possibilitam o rastreio precoce sobre o grau de risco de determinadas doenças, direcionando para as intervenções precoces e, portanto, aumentando as chances de desfechos positivos.
A maioria das doenças que afetam a população hoje é multifatorial. Por exemplo, doenças cardíacas são influenciadas não apenas pela genética, mas também pela idade, dieta, exercícios, níveis de estresse, enfim, pelo ambiente e estilo de vida.
Outros setores utilizam a análise preditiva a mais tempo refinando suas decisões: os bancos utilizam análise de dados feita por algoritmos para identificarem os clientes em potencial ou o risco de um cliente deixar de pagar um empréstimo; os sites de mídia social preveem o tipo de anúncio ao qual um usuário tem mais probabilidade de responder; as seguradoras de automóveis preveem a probabilidade de um indivíduo registrar um sinistro.
Esses setores desenvolveram sua tecnologia e infraestrutura de fluxo de trabalho necessários para implantar as ações posteriores às análises, em tempo real. Certamente, a análise preditiva vem contribuindo para sua eficiência e antecipação aos problemas para melhor gerenciá-los.
A análise preditiva da saúde fornece insights personalizados para os gestores da saúde, como médicos, enfermeiros e farmacêuticos, aplicarem no ponto de contato com o cliente/paciente. Assim, evita-se que a doença evolua para uma intervenção de alta complexidade. Como consequência amplia-se o uso adequado dos recursos, evitando desperdício de dinheiro e tempo.
E mais, a partir da AI é possível consolidar os dados, obtendo um dashboard ou BI da saúde sobre determinados grupos populacionais. Esta contribuição impacta em intervenções de pacientes, seja pelas operadoras, seja pelo SUS.
É um marco na evolução da medicina, pois complementa a tradicional e necessária intervenção reativa à estratégia proativa, significando mais saúde com vitalidade para as pessoas e menos custo com alta complexidade para as operadoras.
A medicina preditiva já está sendo aplicada com sucesso em diversas áreas da saúde, trazendo benefícios concretos para a população. Um dos exemplos relevantes está no controle e prevenção de diabetes, doenças cardiovasculares e câncer.
Doenças desse tipo estão entre as maiores causas de adoecimento e morte no mundo, representando 63% dos casos. Somente no Brasil, elas são responsáveis por cerca de 38 milhões de mortes por ano.
O futuro da medicina preditiva
A tendência é que a medicina preditiva se torne cada vez mais acessível e massificada, permitindo que mais pessoas tenham acesso a um atendimento personalizado e precoce. Com avanços na análise de dados e na integração de tecnologias, a expectativa é que essa abordagem se torne padrão na gestão da saúde global, envolvendo players do mercado B2B e B2C.
À medida que sistemas de saúde públicos e privados e seguradoras adotarem soluções de análise preditiva, espera-se um consumo eficaz de tratamentos, agora com mecanismos de AI.
A utilização dos testes em grande escala poderá gerar uma série de impactos positivos para toda a cadeia de valor da saúde, já que inúmeras pessoas poderão ser orientadas a buscarem os profissionais médicos mais rapidamente, aumentando a chance de tratamentos mais eficientes.
A medicina preditiva está transformando a forma como lidamos com a saúde, permitindo intervenções precoces e personalizadas. E estamos apenas no início dessa jornada. Certamente avanços significativos serão vistos nos próximos anos.
*Andréa Ribas é executiva na área da saúde e CEO da WAC Global Tech.