Protocolo criado por radiologistas propõe nova abordagem para dar más notícias a pacientes

Radiologistas estão frequentemente entre os primeiros médicos a identificar achados graves em exames de imagem, como a suspeita de um câncer. Apesar da relevância desse momento, a formação desses especialistas costuma ser fortemente técnica, o que reforça a importância de iniciativas voltadas ao desenvolvimento de habilidades de comunicação no cuidado ao paciente.

Com esse objetivo, pesquisadores brasileiros desenvolveram um protocolo para ajudar radiologistas a conduzir conversas difíceis de forma mais clara, empática e estruturada. A proposta foi apresentada em artigo publicado na Radiographics, revista científica da Radiological Society of North America (RSNA). Chamado RADNEWS, o modelo reúne sete etapas que orientam o médico desde a preparação para o diálogo até o acolhimento das reações emocionais do paciente.

A iniciativa parte de um desafio particular da radiologia: diferentemente de outras especialidades, o radiologista muitas vezes precisa comunicar um resultado preocupante em um único encontro, sem vínculo prévio com o paciente e com tempo limitado para contextualizar o diagnóstico.

“O radiologista frequentemente é o primeiro médico a identificar um achado suspeito em um exame de imagem. Nesse momento, é fundamental conseguir traduzir uma informação técnica em uma conversa clara, acolhedora e orientada para os próximos passos do cuidado”, afirma Natália Ceccaroni Orthmann, radiologista especializada em imagem da mama e uma das autoras do estudo.

O protocolo propõe etapas como a revisão prévia do contexto clínico do paciente, a explicação do exame em linguagem acessível, a comunicação do resultado com clareza e empatia, a abertura para perguntas e a apresentação dos próximos passos do acompanhamento.

“O objetivo do protocolo é oferecer um ponto de partida para que radiologistas consigam estruturar essas conversas de forma mais humana. Pequenas atitudes, como explicar o exame com calma, validar as emoções do paciente e esclarecer os próximos passos, podem fazer uma grande diferença na forma como essa notícia é recebida”, complementa a especialista.

A proposta também destaca que a forma como a notícia é transmitida influencia diretamente a experiência do paciente. Diante de diagnósticos graves ou de achados suspeitos, reações como choque, medo e tristeza são frequentes, o que exige sensibilidade e preparo por parte do médico.

O tema ganha relevância especial em áreas como a radiologia mamária, em que exames de imagem frequentemente identificam alterações suspeitas que precisam ser explicadas antes da confirmação diagnóstica, como nos casos em que há indicação de biópsia. Nesses contextos, uma comunicação mais cuidadosa pode contribuir para reduzir a ansiedade, ampliar a compreensão do paciente e favorecer uma experiência de cuidado mais acolhedora.

O assunto será aprofundado durante a Jornada Paulista de Radiologia 2026 (JPR 2026), no dia 30 de abril, na aula “Como Dar Más Notícias: Um Protocolo de Comunicação para Radiologistas”, ministrada por Natália Ceccaroni Orthmann, das 14h20 às 14h40. A apresentação vai discutir a aplicação prática do protocolo e a importância de preparar o radiologista para conduzir conversas difíceis com mais sensibilidade, clareza e segurança.


Serviço:
56ª Jornada Paulista de Radiologia
Data: 30 de abril a 3 de maio de 2026
Local: Transamerica Expo Center — São Paulo (SP)
Mais informações aqui.

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