A revolução da prescrição digital no Sistema Único de Saúde

Por Renata Gomes de Alcântara

A digitalização do Sistema Único de Saúde (SUS) está promovendo uma das maiores revoluções da saúde pública brasileira. A implementação da prescrição digital nos últimos anos representa um marco nessa transformação, trazendo mais eficiência para médicos, pacientes e gestores públicos.

Antes da digitalização, a prescrição de medicamentos no SUS dependia exclusivamente de documentos físicos, o que resultava em processos burocráticos demorados, riscos de erros na interpretação das receitas e dificuldades na liberação de medicamentos de alto custo. No entanto, vale ressaltar que a realidade do SUS ainda está longe de ser totalmente digitalizada. Atualmente, cerca de 80% das prescrições ainda são feitas em papel, e a transição para um sistema totalmente eletrônico ainda enfrenta desafios. O uso da prescrição digital pode trazer ganhos significativos, como maior segurança e agilidade no acesso aos medicamentos, mas sua implementação em larga escala ainda está em andamento.

O Programa SUS Digital, iniciado em 2024 com um investimento de R$ 454 milhões, tem impulsionado a modernização do atendimento, conectando unidades de saúde por meio de prontuários eletrônicos e plataformas integradas. Atualmente, todos os 5.570 municípios brasileiros aderiram à iniciativa, mas a adoção ainda enfrenta desafios. Apenas 19% das macrorregiões do Brasil estão plenamente integradas à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), o que demonstra que a digitalização ainda não é uma realidade uniforme no país.

A prescrição digital reduz drasticamente a burocracia enfrentada por médicos e pacientes. O preenchimento de formulários físicos e a necessidade de deslocamentos frequentes dificultavam o acesso aos tratamentos. Com a automação do processo, a emissão de laudos e receitas se torna mais ágil, minimizando atrasos e garantindo que os medicamentos cheguem mais rapidamente a quem precisa. Além disso, a integração de sistemas permite que diferentes unidades de saúde compartilhem informações, melhorando a continuidade do atendimento.

Um exemplo concreto dessa evolução é a adoção do prontuário eletrônico AGH-USE na Bahia, que permitiu a integração de dados entre unidades de saúde. Agora, quando um paciente inicia um tratamento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e depois precisa ser atendido em um hospital, seu histórico clínico fica disponível digitalmente, garantindo um atendimento mais seguro e eficiente. Essa interoperabilidade reduz falhas no diagnóstico, melhora a eficiência da gestão de medicamentos e evita desperdícios.

A digitalização também traz benefícios diretos para os profissionais de saúde. Com a prescrição eletrônica, médicos podem dedicar mais tempo ao atendimento clínico, sem a necessidade de preencher múltiplos formulários manuais ou lidar com dificuldades na interpretação de receitas manuscritas. Além disso, a transição para a prescrição eletrônica vem acompanhada de protocolos rigorosos para a proteção das informações dos pacientes, reduzindo riscos de fraudes e extravios.

No cenário internacional, países como Canadá e Reino Unido já adotaram amplamente a prescrição digital, com impactos positivos na redução de erros médicos, na otimização da gestão de estoques de medicamentos e na melhora na eficiência dos atendimentos. No Brasil, espera-se que, com o aumento da adesão ao SUS Digital, esses benefícios se tornem cada vez mais evidentes, ajudando a reduzir desperdícios e garantindo um sistema público de saúde mais eficiente e acessível.

O futuro da digitalização na saúde pública brasileira ainda inclui a implementação crescente da inteligência artificial para análise de dados e apoio na tomada de decisões clínicas. No entanto, especialistas alertam que a transformação digital precisa ser acompanhada de regulamentações sólidas e medidas de cibersegurança para evitar vulnerabilidades que possam comprometer a privacidade dos cidadãos. Para que essa revolução seja realmente eficaz, é essencial que a infraestrutura do SUS evolua em conjunto com essas inovações, garantindo que todos os profissionais e pacientes possam se beneficiar das novas tecnologias sem ampliar desigualdades no acesso à saúde.

A prescrição digital representa um passo fundamental na modernização do SUS, tornando o sistema mais ágil, eficiente e seguro. No entanto, seu sucesso depende de uma implementação abrangente e equitativa, que contemple desde os grandes centros urbanos até as áreas mais remotas do país. O desafio agora é consolidar essas mudanças e garantir que a tecnologia não seja apenas um diferencial, mas sim uma ferramenta essencial para um SUS mais acessível e eficiente para todos.


*Renata Alcântara é CEO e Fundadora da LME Fácil.

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