Sem diagnóstico não há sistema de saúde: o papel da radiologia

Por Augusto Oliveira

À primeira vista, a radiologia pode parecer um setor silencioso, restrito a salas de exame e jargões técnicos. Mas a verdade é que, ela está no centro de algumas das mais relevantes interseções entre saúde pública, tecnologia inovadora e economia global, com impactos que vão muito além das clínicas e hospitais.

O mercado global de diagnóstico por imagem, que inclui tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM) entre suas principais modalidades, está em plena expansão. Estimativas apontam que a economia mundial ligada à radiologia deve continuar crescendo de maneira estável ao longo desta década, movida por diagnósticos precoces, envelhecimento populacional e o aumento da prevalência de doenças crônicas como câncer e doenças cardiovasculares.

Esse crescimento não é apenas um dado econômico abstrato: representa um pilar para sistemas de saúde mais eficientes e um vetor de produtividade para o setor privado e público. Cada imagem gerada é um ponto de decisão clínica, seja para confirmar um diagnóstico, planejar um tratamento ou monitorar a evolução de um paciente. E quanto mais cedo essas decisões forem tomadas, melhor o desfecho para o paciente e menor o custo para o sistema de saúde.

Um fenômeno que molda esse cenário é a adoção acelerada de ferramentas digitais e de inteligência artificial no fluxo de trabalho radiológico. Embora exista um debate global sobre o papel da IA em substituir ou complementar profissionais, os relatórios mais recentes mostram que a tecnologia não vem para substituir o radiologista, mas para potencializar sua capacidade de análise diante de volumes de exames que crescem exponencialmente.

Ao mesmo tempo, desafios estruturais deixam claro que a radiologia é também um ponto de atenção para políticas públicas. No Brasil, inequidades no acesso a exames de imagem entre regiões e entre os sistemas público e privado continuam sendo uma realidade, com densidades de equipamentos como tomógrafos e aparelhos de ressonância magnética variando consideravelmente entre estados.

Essas disparidades não são apenas um problema de infraestrutura; elas refletem desigualdades no acesso ao diagnóstico precoce, que em muitos casos pode definir o sucesso de um tratamento ou o tempo de sobrevida em doenças graves. Nesta perspectiva, investir em radiologia é, antes de tudo, investir em equidade na saúde, e isso requer ação coordenada entre governos, academia, setor privado e sociedade civil.

Da perspectiva econômica, a radiologia já deixou de ser um “apoio” para se tornar um motor de eficiência clínica e financeira. A capacidade de reduzir tratamentos tardios, internações prolongadas ou procedimentos desnecessários coloca o setor no radar de gestores e formuladores de políticas que buscam otimizar recursos públicos e privados.

Mas é importante frisar que o valor da radiologia vai além de números e custos. Trata-se de uma disciplina que conecta tecnologia, ciência e humanidade, porque cada imagem é fruto da interação entre o conhecimento técnico de profissionais qualificados, radiologistas e técnicos, e ferramentas que esclarecem o que o corpo silenciosamente revela. Eles não apenas operam máquinas, mas interpretam sinais, traduzem dados em certezas e orientam decisões que mexem com vidas.

O papel da radiologia em 2026 será ainda mais central. Ela está conectada com a expansão de estratégias como a telerradiologia, que quebra barreiras geográficas e amplia o acesso a laudos em tempo real, e com modelos híbridos que combinam diagnósticos com acompanhamento clínico contínuo, ambos essenciais em um mundo marcado por envelhecimento populacional e por pressões crescentes sobre sistemas de saúde.

A radiologia deve ser entendida como muito mais do que um serviço de apoio: é uma infraestrutura crítica de saúde, com impacto econômico, social e tecnológico. Negar investimentos, ignorar desigualdades regionais ou subestimar sua importância seria perder uma oportunidade de tornar os sistemas de saúde mais eficazes, equitativos e sustentáveis, justamente o que a sociedade moderna mais precisa.


*Augusto Oliveira é CEO da ALKO do Brasil.

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