42% das mulheres não sabem se tomaram a vacina do HPV

Uma pesquisa do Instituto Locomotiva, em parceria com o EVA – Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos, revela que 42% das mulheres de 18 a 45 anos afirmam não ter recebido ou não recordar se receberam a imunização contra o HPV. Além disso, 26% garantem que não foram vacinadas, e 16% desse grupo acreditam que a proteção oferecida não seja eficaz. Os dados evidenciam como a desinformação continua afastando parte do público feminino de medidas importantes para a prevenção de cânceres relacionados ao vírus.

Entre as principais dúvidas das brasileiras está a segurança do produto. Para a infectologista Luísa Chebabo, dos laboratórios Bronstein e Sérgio Franco, da Dasa no Rio de Janeiro, os resultados reforçam a necessidade de ampliar o acesso a informações confiáveis. “O imunizante contra o HPV tem um histórico de uso consolidado em diversos países por mais de 15 anos, comprovando um excelente método preventivo e alta eficácia contra os tipos virais de maior risco. A hesitação em vacinar-se está fundamentada muito mais em narrativas falsas do que em dados científicos concretos”, explica.

Questionamento recorrente do público feminino é sobre a idade para se vacinar: 58% das mulheres entrevistadas no estudo e que não tomara a vacina, disseram achar que o imunização não era para sua idade.

Luísa Chebabo explica que a imunização contra o HPV não se restringe à faixa etária adolescente. “Para as mulheres que não receberam a vacina previamente, ela pode ser recomendada até os 45 anos, dependendo da avaliação médica. Em certos casos, essa indicação pode ser ainda mais individualizada”, afirma a especialista. A disponibilidade do imunizante na rede privada também garante que indivíduos fora do grupo prioritário do Programa Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde, possam atualizar sua proteção, seguindo sempre a orientação profissional.”, comenta.

Atualmente, a vacina utilizada pelo SUS é a tetravalente, oferecida gratuitamente a meninas e meninos de 9 a 14 anos e aprovada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Na rede privada, está disponível a formulação nonavalente, que amplia a proteção para nove subtipos do vírus.

Embora as campanhas de vacinação sejam direcionadas sobretudo às mulheres, Luísa lembra que envolver os homens é fundamental para ampliar o impacto da prevenção. “A imunização masculina é igualmente essencial, já que eles também podem desenvolver cânceres associados ao HPV, como os de pênis, ânus e faringe, além de contribuírem para a transmissão. Ampliar essa cobertura reduz a circulação do vírus e protege toda a comunidade”, destaca.

A efetividade da imunização concorre para as reduções significativas das infecções e das lesões precursoras de câncer em países com alta cobertura. Mesmo quem já teve contato com o vírus pode se beneficiar da vacina, pois ela oferece proteção contra outros subtipos aos quais a pessoa ainda não foi exposta, diminuindo o risco de novas infecções.

A ginecologista Martha Calvente, da clínica CDPI, também da Dasa, reforça ainda que a vacina não substitui os exames preventivos. O exame Papanicolau (conhecido como preventivo) permanece essencial para identificar alterações celulares que podem evoluir para câncer, inclusive entre mulheres vacinadas.

“O tempo para uma lesão de alto grau se transformar em um tumor é longo e pode durar anos. É essa lenta progressão que torna o Papanicolau um exame tão eficaz. Essa avaliação de rotina permite que o médico rastreie e detecte as lesões pré-malignas para que o tratamento seja implementado antes que o câncer se estabeleça”, explica a médica.

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