‘Microchip do coronavírus’ soma 3600% de crescimento no volume de buscas

Estamos vivendo a era da disseminação de informações falsas, ou as famosas fake news, que têm sido disparadas em massa e acabam se tornando uma das fontes de informações acerca da pandemia e do novo coronavírus. Pensando nisso, a Semrush, uma plataforma SaaS de gerenciamento de visibilidade online e marketing de conteúdo, analisou quais assuntos de fake news tiveram maior crescimento entre as buscas dos usuários brasileiros na internet, no ano de 2020.

Uma informação difundida é o uso de um composto químico para o tratamento do vírus da Covid-19. Quando o vírus chegou ao Brasil muito se falou em usar a hidroxicloroquina, ou apenas cloroquina, para curar as reações da doença. Diante do aumento da procura pelo medicamento, o Brasil comprou comprimidos para serem entregues em hospitais que estavam tratando de doentes.

Mas após muitas reações adversas causadas por esse medicamento, estudos foram elaborados e ficou comprovado cientificamente que o composto não tem qualquer tipo de ação contra a doença causada pelo coronavírus. Mas mesmo assim, houve um aumento considerável das buscas por ele na internet. O ranking de fake news do levantamento da Semrush mostra que das 10 posições, 5 são ocupadas por buscas relacionadas a esse remédio.

As outras 5 posições são respectivamente ocupadas por “microchip coronavírus” em que foi divulgado que poderia haver um microchip nas vacinas contra o vírus e que poderia ser implantado nas pessoas na hora de receber o imunizante. O seguinte é “vinagre contra coronavírus”, em que circulou pelas redes sociais que o uso do vinagre seria mais eficaz que o uso de álcool gel e a lavagem de mãos para desinfectar, combater e prevenir o novo coronavírus.

“É interessante observar como o comportamento do usuário funciona nesse sentido. Grande parte dessas informações falsas são divulgadas por meio das redes sociais, porém o mais correto seria o usuário pesquisar na internet para checar o que está sendo divulgado e procurar pelos respectivos termos em sites confiáveis. O problema é quando não há essa etapa e a informação é compartilhada sem checagem de um especialista no assunto”, explica Erich Casagrande, gerente de marketing Brasil da Semrush.

Em seguida temos a “hemoterapia coronavírus” que consiste em retirar o sangue infectado de um paciente e depois ele ser novamente injetado no corpo dele, a tese defendida é de que isso aumentaria o sistema imunológico do paciente. Mas a Anvisa não defende esse tipo de prática, pois faltam evidências científicas que comprovam, por meio de estudos clínicos, a eficácia e a segurança desse processo.

Houve também uma notícia falsa de que essa mutação do coronavírus foi passada para os humanos por meio de um mamífero chamado pangolim. Um estudo feito na China levantou algumas suspeitas de que poderiam ter sido animais os responsáveis pela mutação e disseminação para os humanos, mas essa teoria logo foi refutada pois o estudo não apresentava claros casos de comprovação científica e o pesquisador acabou sendo duramente criticado pela comunidade científica do mundo.

E por fim, a última fake news a ingressar no ranking foi o do “alho coronavírus”, que foi propagado nas redes sociais que você poderia ser curado se ingerisse a água da fervura de uma cabeça de alho. A Fiocruz emitiu um alerta dizendo que não há como provar tal teoria, e se embasou em estudo que analisaram a composição fitoquímica, farmacocinética e atividades farmacológicas dos extratos de alho e chegaram a conclusão de que ele não possui nenhum ativo que cure a doença.


Confira o ranking completo de temas falsos com o maior aumento percentual de buscas online:

1. Microchip coronavírus: 3600%
2. Vinagre contra coronavírus: 900%
3. Cloroquina Bolsonaro: 560%
4.Cloroquina estudos: 500%
5.Uso de cloroquina no mundo: 500%
6. Hemoterapia coronavírus: 400%
7. Uso de cloroquina: 240%
8. Pangolim coronavírus: 200%
9. Alho coronavírus: 150%
10. Cloroquina corona: 150%


*crescimento percentual de buscas online de dezembro de 2020 a janeiro de 2021 no Brasil