Mercado wellness cresce, redefine padrões de consumo e impulsiona novo modelo de saúde integral no Brasil
O mercado global de wellness vive uma expansão e já figura entre os maiores setores da economia mundial. Segundo dados do Global Wellness Institute (GWI), o segmento movimenta cerca de US$ 5,6 trilhões globalmente e segue em trajetória de crescimento acelerado, com projeções que indicam a possibilidade de alcançar US$ 9 trilhões até 2028. No Brasil, o setor já representa aproximadamente US$ 96 bilhões, posicionando o país entre os maiores mercados consumidores de bem-estar do mundo.
Mais do que números expressivos, o avanço do wellness revela uma transformação estrutural no comportamento da população: a migração de um modelo centrado no tratamento de doenças para uma lógica de saúde integral, preventiva e personalizada, que considera corpo, mente, emoções, estilo de vida e fatores sociais como partes indissociáveis do bem-estar.
Para o médico Vinícius Mariano, especialista em medicina interna, nefrologia e nutrologia, esse movimento traduz uma mudança profunda na forma como as pessoas se relacionam com a própria saúde. CEO da Clínica Medicina Funcional Integrativa, em Campinas (SP), ele explica que hoje existe uma consciência muito maior de que saúde não é apenas ausência de doença. “As pessoas entendem que prevenção, equilíbrio e hábitos diários são determinantes para a longevidade e a qualidade de vida. Antes, o cuidado começava quando surgia a dor. Agora, começa na construção de um estilo de vida saudável”, afirma.

Novo padrão de consumo: prevenção, personalização e ciência
Por trás do crescimento do mercado wellness está um novo perfil de consumidor, mais informado, mais exigente e menos disposto a soluções imediatistas. Esse público busca resultados reais, baseados em ciência, e não apenas modismos ou respostas paliativas. Segundo Vinícius, essa transformação é percebida diretamente na prática clínica.
“Os pacientes não chegam mais apenas em busca de um remédio. Eles querem planos personalizados para gerenciar estresse, melhorar o sono, otimizar a nutrição e reduzir inflamações crônicas. Buscam soluções sustentáveis, baseadas em exames, genética e evidências científicas. Isso muda completamente a lógica do cuidado.”
No Brasil, esse comportamento se reflete no aumento da procura por check-ups preventivos, suplementação personalizada, exames funcionais e acompanhamento contínuo, consolidando um ecossistema de saúde que vai além da medicina tradicional curativa.
Limites do modelo tradicional e avanço da medicina integrativa
Embora a medicina convencional seja essencial no tratamento de emergências, infecções e condições agudas, especialistas apontam limites quando o foco é o cuidado integral e de longo prazo.

“A medicina tradicional é extremamente eficaz em situações agudas, mas no cuidado contínuo ela tende a focar na doença, não na raiz do problema. Muitas vezes tratamos sintomas sem investigar fatores como estresse crônico, deficiências nutricionais, inflamação sistêmica, microbioma intestinal ou toxinas ambientais. Isso mantém o paciente dependente de tratamentos sintomáticos e com quadros recorrentes”, explica Vinícius.
Nesse cenário, a medicina integrativa e a nutrologia ganham protagonismo ao propor um modelo que une ciência, prevenção e personalização. “A medicina integrativa conecta o melhor da medicina convencional com abordagens baseadas em evidências, como nutrição personalizada, manejo do estresse e avaliação metabólica, hormonal e genética. A nutrologia atua de forma estratégica na prevenção de doenças crônicas. O foco deixa de ser a doença isolada e passa a ser o indivíduo como um sistema integrado”, reforça.
Impacto econômico e bem-estar sustentável
Além dos benefícios individuais, esse novo modelo de saúde gera impactos positivos também no campo econômico e social. Estudos internacionais indicam que investimentos em prevenção e bem-estar podem reduzir custos assistenciais entre 15% e 20%, substituindo internações, tratamentos de alto custo e intervenções tardias por estratégias preventivas.
“Prevenir é sempre mais barato e mais eficiente do que tratar. Quando investimos em saúde integral, reduzimos o risco de doenças crônicas, internações e uso contínuo de medicamentos caros. No longo prazo, isso gera economia para o sistema de saúde e mais qualidade de vida para as pessoas”, afirma o médico.
Com o envelhecimento acelerado da população brasileira, esse modelo se torna ainda mais estratégico. “O Brasil está envelhecendo rapidamente. Sem um modelo preventivo e integrado, o sistema não se sustenta. A medicina integrativa e a nutrologia oferecem uma resposta concreta: bem-estar sustentável, autonomia, longevidade com qualidade e menos dependência de tratamentos de alto custo”, conclui Vinícius Mariano.

