Médicos brasileiros nos EUA: o que impede o movimento de escalar?

Por Otávio Haverroth Silva

Nos últimos anos, tenho acompanhado de perto um movimento que vem crescendo de forma consistente: médicos brasileiros olhando para os Estados Unidos como um próximo passo na carreira e na vida. Não é uma decisão simples. Envolve dúvidas, inseguranças e, muitas vezes, a sensação de que o processo é mais distante do que realmente é.

O que mais chama atenção, no dia a dia, é que não falta qualificação, pelo contrário. São profissionais com excelente formação, experiência clínica sólida, muitos com atuação em pesquisa ou cargos de liderança. O que falta, na maioria dos casos, é clareza sobre os caminhos possíveis.

Ainda existe uma ideia muito difundida de que só é possível imigrar com uma oferta de emprego nos Estados Unidos. E essa percepção, na prática, acaba travando decisões. A realidade é mais ampla.

Hoje, existem rotas estruturadas que permitem ao médico conduzir seu processo de imigração com base na própria trajetória. O principal exemplo é o visto EB-2 com National Interest Waiver (NIW), que possibilita a obtenção do green card sem depender de um empregador. É um processo que reconhece o valor do profissional e o impacto que ele pode gerar, especialmente em um país que enfrenta escassez de médicos em diversas regiões.

Outras alternativas também existem. O visto O-1, por exemplo, pode ser uma boa opção para profissionais com destaque acadêmico ou reconhecimento na área. Já o H-1B, mais tradicional, depende de uma oferta de trabalho e envolve fatores fora do controle do candidato, como o sorteio anual.

Mas existe um ponto importante que costuma mudar a perspectiva de quem está avaliando esse caminho: a medicina, nos Estados Unidos, é vista como uma área de interesse estratégico. Isso significa que médicos qualificados estão, muitas vezes, atendendo a uma necessidade real do sistema de saúde. Isso não torna o processo simples, mas torna o caminho mais possível.

É importante dizer, com transparência, que imigração baseada em mérito não é automática. Cada caso precisa ser construído com cuidado, estratégia e consistência. Mais do que o currículo, conta a forma como a trajetória é apresentada, como as evidências são organizadas e como o argumento é desenvolvido.

Também é aqui que muitos profissionais cometem um erro: tentar simplificar um processo que, na essência, é jurídico. Imigração deve ser conduzida por advogados licenciados nos Estados Unidos, com experiência prática nesse tipo de caso. Isso faz diferença na condução e no resultado.

Outro ponto que sempre compartilho com clientes é sobre o momento. Hoje, médicos brasileiros ainda encontram um cenário mais favorável do que outras nacionalidades, com prazos mais previsíveis e menos congestionamento nas filas. Em média, a análise inicial pode levar de 8 a 18 meses, e o processo completo até o green card varia entre cerca de 12 meses e 2 anos.

No fim, essa é, além de uma decisão de carreira, uma escolha de vida. Envolve qualidade de trabalho, segurança, previsibilidade e acesso a um sistema que valoriza esse nível de qualificação.

O médico brasileiro, na maioria das vezes, já está pronto. O que falta não é capacidade, é acesso à informação certa, no momento certo, para transformar essa possibilidade em realidade.


*Otávio Haverroth Silva é CEO da YOUSA Law Firm.

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