Manual de boas práticas da ABCIS orienta hospitais na aquisição ética e eficiente de tecnologia
Em um movimento estratégico para elevar o nível de maturidade tecnológica do setor de saúde brasileiro, a ABCIS – Associação Brasileira CIO e Gestores de Tecnologia em saúde pública e privada, produziu o “Manual de boas práticas para compras de tecnologia em saúde”. A iniciativa é liderada pelo Grupo de Trabalho (GT) de Infraestrutura da associação e tem como objetivo principal educar gestores e profissionais da área na condução de processos de aquisição mais estruturados, éticos e alinhados aos objetivos clínicos e estratégicos das instituições.
Marcus Bernardo, coordenador do GT de Infraestrutura da ABCIS e head de infraestrutura de TI no Hcor, está à frente do projeto, destacando a importância da iniciativa como reflexo da missão do grupo dentro da associação. “Cada decisão tecnológica impacta diretamente a segurança do paciente, a qualidade da assistência, a conformidade regulatória e a eficiência operacional. O manual vem justamente para guiar essas decisões com base técnica, financeira e estratégica”, afirma o executivo.
A ideia do manual surgiu da observação de um problema crônico no setor, a ausência de processos padronizados na aquisição de soluções de infraestrutura e tecnologia, incluindo sistemas. De acordo com Marcus, essa lacuna afeta hospitais de todos os portes, dos grandes centros até instituições de menor escala, e frequentemente resulta em investimentos inadequados e em risco operacional.
“Ouvimos gestores dizendo que compram com base no menor preço, sem analisar o real valor da solução ou seu impacto a médio e longo prazo. Isso compromete não só o orçamento, mas a própria segurança do atendimento ao paciente”, comenta Marcus.
Desenvolvido com base na vivência prática dos membros do GT, em normas reconhecidas do setor, como ISO 27001, LGPD, diretrizes de Custo Total de Propriedade (TCO) e Retorno sobre Investimento (ROI), e em metodologias consolidadas como o Plano Diretor de TI (PDTI), o manual se propõe a ser um guia completo, que acompanha o ciclo de vida da gestão de infraestrutura nas instituições de saúde.
O manual aborda temas, como diagnóstico estratégico e técnico, planejamento estratégico e plano diretor, RFI e RFP, benchmark de mercado, regras de conduta ética e integridade, avaliação de custo versus valor, inteligência orçamentária, e plano de implementação e gestão da mudança.
O manual também responde a lacunas recorrentes nos processos de compra. Entre os erros mais comuns se encontram escolhas baseadas apenas em preço, ignorando o TCO e o ROI, desalinhamento entre as decisões de TI e os objetivos estratégicos da instituição, falta de transparência e ética nos processos de aquisição, e implantações mal planejadas e com baixa adesão das equipes. Para cada um desses problemas, o manual propõe mecanismos práticos de prevenção, desde a definição de regras claras de governança até ferramentas de comunicação e treinamento durante a implantação de novas tecnologias.
“A publicação do manual representa um passo importante rumo à profissionalização dos processos de aquisição tecnológica na saúde brasileira. A expectativa é que ele contribua para a consolidação de uma cultura mais técnica, ética e orientada por dados no setor”, explica Vitor Ferreira, CIO do Hospital Sabará e presidente da ABCIS. “Com a adoção das diretrizes propostas, é esperado que os investimentos em infraestrutura e tecnologia de TI deixem de ser vistos apenas como custo e passem a ser reconhecidos como ativos estratégicos que impulsionam resultados clínicos, operacionais e de experiência do paciente”, completa Ferreira.
Além de promover maior transparência e eficiência financeira, o manual também fortalece a segurança do paciente, uma vez que tecnologias bem avaliadas, implantadas e sustentadas reduzem riscos de falhas críticas no atendimento. Outro impacto importante é o alinhamento entre a área de tecnologia e os objetivos de negócio das instituições, contribuindo para iniciativas como expansão hospitalar, acreditações e melhorias na jornada do paciente.
O manual está disponível e pode ser baixado livremente pelos associados e demais interessados clicando aqui.