Movimento do Levante Médico – Liberdade e autonomia para o exercício da profissão

Por Cristiane Ribeiro Marco Antonio

Quando escolhi o nome do movimento como “LEVANTE MÉDICO” foi apenas uma questão didática, não excluindo quaisquer outros profissionais da área da saúde que são frontalmente afetados por uma política pública de saúde ineficiente e abusiva. Que nossa saúde pública e privada não chega nem perto de ser algo digno todos nós sabemos e não é de agora, sempre foi assim.

Em contra partida contamos com profissionais da área de saúde altamente gabaritados e eficientes que são literalmente subutilizados por um sistema que não dá a mínima condição de trabalho aos mesmos. E o que dizer dos Profissionais da Saúde que trabalham no sistema privado?

Estes por sua vez vivenciam uma situação difícil e abusiva que muitos não sabem, desconhecem. Dentre essas abusividades está a não liberdade de trabalhar com os meios e técnicas necessárias para melhor atender o paciente, ameaças veladas e outras diretas de descredenciamento unilateral de médicos ou pessoas jurídicas feitas por Operadoras de Planos de Saúde ou por Hospitais ao mando das últimas.

E não paramos por aí! Muitos médicos que não são vinculados a nenhum convênio. Operam ou atendem seus pacientes em Hospitais e depois há ou deveria haver o reembolso pelas Operadoras ou Hospitais. Porém, como forma de punir o médico que pede o material ou o exame que julga correto para fazer determinada cirurgia em seu paciente, as operadoras exigem e forçam hospitais a tornar o cadastro do médico inativo naquele hospital, impedindo o profissional de atender no estabelecimento, sem nem ao menos dar alguma justificativa plausível para tanto.

Como uma rede de informações obscuras outros hospitais começam a fazer o mesmo com um determinado médico, fechando assim, as portas para que ele possa operar, pura e simplesmente por uma questão de não quererem aceitar a técnica e material requisitado pelo profissional.

Muitos destes médicos estudaram e se esforçaram durante anos a fio, incansavelmente, para poder proporcionar aos seus pacientes a melhor técnica médica, e com estes atos ilegais e abusivos coordenados pelas Operadoras dos planos de saúde e validados por certos hospitais impedem a melhor medicina de ser exercida.

O descalabro dos desmandos e suposta onipotência das Operadoras que muitas vezes controlam hospitais está impedindo que a melhor técnica médica chegue aos consumidores que pagam mensalmente às operadoras para serem atendidos de forma digna.

Se na rede Privada existem tantas interferências, abusos e ilegalidades, todos nós podemos imaginar o que ocorre na rede pública com nossos profissionais da saúde. Certamente uma das profissões mais tristes hoje para ser exercida! Falta de equipamentos básicos, interferências de toda ordem, ilegalidades e abusividades, atraso nos salários, enfim, não caberia em um só artigo tantas falhas.

Um exemplo bastante comum é a prática de “pacotização” de preços de procedimentos e materiais cirúrgicos que serão praticados dentro do hospital.

Essa tratativa abusiva aniquila a livre concorrência de muitas empresas do setor, bem como faz com que os hospitais cavem sua própria cova, já que este sistema não demorará em ruir com as finanças dos hospitais que se submetem à ordens “superiores”.

Foi preciso uma pandemia arrasadora para ver a população não só brasileira, mas mundial aplaudir em coro os profissionais da saúde. Mas será que a população sabe realmente o que se passa com as classes médicas, enfermagens, fisioterapeutas, bucomaxilos? Obviamente que não!

Por anos e anos a classe médica tentou, em vão, ou no mínimo com pouco sucesso se fazerem ouvir pelos governantes e demais entidades. Ocorre que agora o panorama mudou drasticamente! O Covid-19 mostrou ao mundo em duras penas quem deve ser literalmente respeitado e valorizado, os profissionais da saúde.

Os profissionais da saúde tiveram suas cirurgias interrompidas, foram para o “fronte” combater um inimigo invisível, deixando suas famílias, se isolando, consolando, tratando, e mesmo assim sob condições precárias, já que temos uma saúde pública precária, arbitrária e extremamente intervencionista na liberdade de atuação médico, o que é, diga-se de passagem ilegal!

Como pode ser verificado facilmente, nossos heróis, não os heróis da pandemia, mas os heróis de sempre, estão exatamente na linha de frente por uma nação.

Em sendo assim devem ser respeitados em suas liberdades profissionais e reconhecidos pela complexidade de seus trabalhos, não permitindo abusos, interferências de auditores que não detêm a técnica, ilegalidades e retaliações de qualquer ordem.

E como a nação pode contribuir com os profissionais da saúde? Podem exigir, reivindicar, apoiar o Movimento do Levante Médico que se baseia na não retaliação das grandes operadoras e hospitais, na não abusividade e interferência nos trabalhos destes profissionais. Outra forma é em conjunto exigir que nossos governantes de uma vez por todas aparatem o nosso sistema de saúde com equipamentos, leitos, condições dignas de trabalho e não interferência política econômica que beneficia um grupo restrito de grandes empresas e políticos.

CHEGOU A HORA DO LEVANTE MÉDICO!

Chegou a hora da medicina e demais profissionais da saúde se unirem para ditar as regras do jogo, pois são eles os detentores da técnica, e sem eles não há nada! Chegou a hora dos profissionais não serem mais fantoches nas mãos de uma política pública corrupta e ineficiente que envolve operadoras, alguns hospitais e políticos mal intencionados.

A hora é de consciência de que sem liberdade e amedrontados por ameaças os profissionais da saúde não terão como socorrer a população, pois estarão minados de autonomia e de mãos atadas por todos os lados.

Após o Covid-19 os cidadãos deste país abriram seus olhos para o grande diferencial de ter os profissionais da saúde com força para atuar. Dentre estes cidadãos estão os membros do Poder judiciário que certamente farão valer as reivindicações do movimento do Levante Médico, bem como dará um basta nas inúmeras abusividades sofridas pelas classes médicas e de enfermagem.

Neste mesmo interim, os políticos brasileiros se viram de saias curtas, uma vez que seu eleitorado apoia mais do que nunca os profissionais da saúde e certamente repudiam as práticas abusivas cometidas em detrimento das classes e população, pois óbvio que esta é a mais afetada por todo o esquema corrupto e intervencionista na saúde. O legislativo e o Executivo não terão mais como fugir do compromisso de fazer valer as leis que protegem o livre exercício da profissão, bem como dar literal efetividade e aprimorar em benefício do consumidor a lei dos planos de saúde e do SUS.

O MOVIMENTO DO LEVANTE MÉDICO é exatamente a forma coordenada de orientar onde e como os profissionais da saúde são afetados há décadas, bem como a estratégia de como corrigir os pontos que impedem o livre exercício da medicina de forma eficaz e sem interferências e ilegalidades.

Com os profissionais da saúde exercendo sua verdadeira autonomia, com o sistema de saúde se tornando mais eficaz, o povo brasileiro terá sua recompensa justa, ser devidamente atendido e tratado com respeito, dignidade e eficiência.

Tanto profissionais da saúde como cidadãos em geral devem aderir ao movimento que por si só já detêm uma força enorme por sua própria natureza. A hashtag #movimentodolevantemedico deve ser replicada e difundida neste país. Agora mais do que nunca, em todo o mundo somos todos pela medicina, somos todos pelos profissionais da saúde.

Palestras para os profissionais da Saúde serão realizadas para orientá-los nas medidas e estratégias de reivindicações a serem utilizadas. Também serão disponibilizadas palestras para líderes comunitários e empresários do setor para coordenar iniciativas para o levante médico.

Chegou a hora de mudar a saúde do nosso país! E a hora é agora!


*Cristiane Ribeiro Marco Antonio é Especialista em Direito Médico/Defesa da RMA advocacia especializada e Membro da Word Association Medical Low. Instagram: RMA_advocacia