Instalação de laboratórios clínicos em shopping centers deve crescer

Mauricio Romiti

Nos últimos anos, a presença de laboratórios de exames e clínicas médicas tem chamado a atenção de quem frequenta shopping centers em todo o Brasil. Esses estabelecimentos, que surgiram como grandes centros de compras, passaram a oferecer serviços e abrigar agências bancárias, dos Correios, consertos de roupas, entre outros. Assim, além de fácil acesso a todos os tipos de lojas comerciais, os shoppings são também locais de grande conveniência, onde é possível fazer até exames laboratoriais.

Mauricio Romiti, diretor financeiro e administrativo da Nassau Empreendimentos, empresa que atua há quase 30 anos no setor de shopping centers no Brasil, acredita que haverá um aumento de oportunidades na área de saúde para os centros de compras no período de retomada. “A população em geral passou a se preocupar ainda mais com a saúde, e ter essa facilidade de acesso em um shopping center é algo muito positivo. Além disso, o valor da locação passará a ser mais interessante no próximo período de recuperação”, diz.

A presença dos laboratórios impacta positivamente o dia a dia dos centros de compras. Os pacientes, por terem necessidades específicas, frequentam os laboratórios em horários diferentes, o que permite que cafés abram mais cedo para atender a esse fluxo de pessoas, além de atrair mais clientes para as farmácias que também estão nos shoppings. Além de laboratórios, há inúmeros serviços de saúde que funcionam em shoppings, como clínicas odontológicas, oftalmológicas, redes de clínicas gerais, radiografias, entre outros.

Em São Paulo, com a transição para a fase laranja, os shoppings voltaram a abrir ao público em 18 de abril, enquanto em outras cidades do país, mesmo durante a pandemia, permaneceram funcionando durante o último ano. Porém, uma tendência que Mauricio observa para o futuro é o atendimento remoto. “Em breve, os shoppings passarão a ter cabines para esta modalidade. O atendimento digital já possibilita a realização de diversos exames e diagnósticos, sem a necessidade da presença física de um médico”, pontua.

A implementação de laboratórios clínicos em shoppings pouco difere da instalação de uma loja comum. Conforme explica o diretor, as adaptações da estrutura física e as licenças de funcionamento ficam por conta do lojista, e não há nenhum impedimento por parte dos empreendimentos para que os espaços de lojas sejam ocupados por laboratórios de exames ou clínicas médicas. Esse é um modelo em expansão tanto nas capitais brasileiras quanto em cidades menores, como ocorre no Shopping Buriti de Guaratinguetá (SP), que conta com uma unidade do Laboratório Oswaldo Cruz, e o Shopping Águas Lindas, em Águas Lindas de Goiás (GO), que conta com clínicas odontológica, oftalmológica e geral.

Outro setor que deve se desenvolver e crescer nos shopping centers é o de exames rápidos e clínicas de vacinação. “Talvez, com o fim da pandemia, essa onda seja revertida para dentro das farmácias, que já estão instaladas nos shoppings. Acredito que veremos um crescimento neste tipo de instalação, da mesma forma como ocorreu com as academias no passado”, finaliza Mauricio.