Laboratório lança painel de suscetibilidade à Covid-19

A pandemia atrelada à Covid-19 ainda está com muitas lacunas a serem preenchidas. Mas devido ao foco e agilidade de cientistas na procura de uma cura ou vacina para a doença, alguns apontamentos já foram feitos, tendo como base o coronavírus SARS-Cov-1. Esses estudos inspiraram um novo painel de resultados da Genera, laboratório brasileiro especializado em genômica pessoal, no qual será apontado o nível de suscetibilidade de cada indivíduo ao coronavírus.

“Esse painel foi criado tendo como base o SARS-CoV-1, o coronavírus causador da SARS, uma doença infecciosa com alta taxa de mortalidade. Um estudo com 154 pacientes chineses demonstrou que a carga viral no início da infecção está relacionada à taxa de sobrevivência dos infectados e pode ser influenciada por variações em genes relacionados à imunidade inata, além de outros fatores como o sexo, a idade e o estilo de vida do indivíduo e a presença de doenças crônicas, que também podem influenciar a evolução clínica do paciente” afirma Adriana Amorim Torres, doutora em biologia celular e analista de pesquisa e desenvolvimento da Genera.

Estudos apontam uma similaridade de 80% entre o SARS-Cov-1 e 2, mas esses pontos em comum ainda são materiais de estudos para a ciência. Ainda assim, já é possível identificar os pontos que tornam um indivíduo – possivelmente – mais suscetível ou não à primeira versão da doença.

O painel irá fornecer características como predisposição para maior ou menor carga viral de acordo com cada genótipo, assim como maior ou menor suscetibilidade à infecção e maior ou menor nível de proteção contra este vírus. Os dados serão disponibilizados para todas as pessoas que já realizaram o teste de ancestralidade da Genera mediante aprovação de cada um, assim como todos os que realizarem o teste a partir de agora. As informações serão fornecidas sem nenhum custo adicional.

“Nosso intuito com o painel não é dar nenhum diagnóstico, mas sim fazer com que cada um entenda um pouco mais de como funciona esse processo de infecção pelo vírus. Um indivíduo pode ser menos suscetível a uma manifestação mais grave dos sintomas, mas continua sendo um agente transmissor no caso de contrair o vírus. Portanto, mesmo uma pessoa que possui menos chances de ter complicações, ainda deve seguir todos os protocolos de segurança indicados pela OMS e o Ministério da Saúde, tendo responsabilidade com sua própria saúde e de sua comunidade”, afirma Ricardo di Lazzaro Filho, médico e sócio-fundador da Genera.

Pandemias fazem parte da história humana, a diferença é que, atualmente, pode-se contar com muitos recursos tecnológicos e institucionais para fazer o trabalho de manutenção da saúde pública e instruir de maneira mais rápida e eficiente, tendo em vista a importância de certificar que quaisquer informações transmitidas sejam verídicas, dado que informações falsas podem ser mais nocivas do que o próprio vírus.