Jornada Paulista de Alzheimer discute avanços sobre a demência

O tratamento da Doença de Alzheimer (DA) entra em uma nova era, com descobertas e avanços científicos que serão discutidos na sexta edição da Jornada Paulista de Alzheimer (JPA). O evento, organizado pela Associação Brasileira de Alzheimer, regional São Paulo (ABRAz-SP), é uma excelente oportunidade para profissionais da saúde, pesquisadores, estudantes e interessados em conhecer as novidades mais recentes sobre a doença neurodegenerativa.

A JPA acontecerá em 2 de setembro (sábado), das 9h às 12h30, de forma gratuita e on-line, e marcará o início do Mês Mundial da Doença de Alzheimer. A programação contará com a participação de especialistas nacionais e internacionais, que abordarão as pesquisas e as intervenções farmacológicas e não farmacológicas mais atuais na área.

A inscrição para a Jornada pode ser realizada na Sala Interdisciplinar, que oferece temas dedicados à sociedade, incluindo familiares, cuidadores, profissionais de saúde e advogados. Além disso, a Sala Médica oferece temas de interesse clínico para médicos,

Com o tema “Uma Nova Era nos Tratamentos da Doença de Alzheimer”, o evento tem como objetivos promover a educação e a ciência, além de conscientizar pela busca de uma vida mais saudável e defender os direitos das pessoas com demência.

A DA é um grave problema de saúde pública, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e causa perda progressiva das funções cognitivas e comportamentais. “Apesar dos esforços da comunidade científica, ainda não há uma solução definitiva. Por isso, é fundamental acompanhar as novas possibilidades de prevenção, diagnóstico e tratamento dessa doença complexa e desafiadora”, diz a geriatra e presidente da ABRAz regional São Paulo, Celene Queiroz Pinheiro de Oliveira.

O número de pessoas que vivem com demência está crescendo, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 55 milhões de pessoas (8,1% das mulheres e 5,4% dos homens acima de 65 anos) estão vivendo com demência. Estima-se que esse número aumente para 78 milhões em 2030 e 139 milhões em 2050.

Uma das novidades é o uso de terapias com anticorpos monoclonais, que se ligam especificamente à proteína Beta amilóide, que é tóxica para o cérebro. Essa proteína se aglomera e deposita no tecido cerebral formando depósitos que levam à degeneração dos neurônios e é uma das lesões neuropatológicas que caracterizam a DA. Esses fármacos visam “limpar” essas placas do cérebro. Um exemplo disso é o aducanumabe, que foi aprovado pela FDA (Food and Drug Administration) em junho de 2021, após demonstrar resultados contraditórios em reduzir o declínio cognitivo em alguns casos. Mas no final de 2022, esse cenário começa a mudar. Foi publicado no New England Journal of Medicine o estudo Clarity AD, mostrando os efeitos de uma nova droga, o Lecanemabe. Nesse ensaio clínico, o Lecanemabe removeu os depósitos de beta-amilóide do cérebro dos pacientes que receberam essa medicação, além de demonstrar um menor declínio cognitivo num período de 18 meses comparados aos pacientes que receberam placebo, o que motivou a aprovação dessa medicação pelo FDA.

No mês passado, mais um novo estudo, O Trail-Blazer, trouxe os resultados positivos de mais um antcoro anti-beta-amiloide, o Donanemabe.

O resultado dos estudos clínicos com essa classe de medicações trouxe novo fôlego para pacientes enfrentando a DA. Após décadas de espera, novas opções terapêuticas surgiram. É a primeira classe de medicações que tem a capacidade de modificar os mecanismos fisiopatológicos da doença, removendo as placas amiloides que se acumulam no cérebro.

O vice-presidente da ABRAz-SP, o médico geriatra Jean Pierre de Alencar, ressalta que há uma avidez por soluções melhores com relação às demências, pois o último lançamento para o tratamento da DA ultrapassa 20 anos.

Jornada dos Médicos

O renomado neurologista norte-americano, diretor de Ensaios Clínicos no Centro de Pesquisa e Tratamento do Alzheimer no Hospital Brigham and Women’s e professor de Neurologia na Faculdade de Medicina de Harvard, Gad Marshall, é o convidado da JPA para proferir uma palestra na qual compartilhará sua experiência na participação de estudos clínicos envolvendo as novas medicações. Sua contribuição é de suma importância para a compreensão e avanço no campo da Doença de Alzheimer.

O tratamento dos sintomas comportamentais na DA é um desafio para os profissionais de saúde e para os familiares dos pacientes. Neste sentido, o psiquiatra especialista em psicogeriatria e coordenador do Serviço de Psiquiatria Geriátrica e Neuropsiquiatria do Hospital de Clínicas da UNICAMP, Lucas Mella abordará em sua aula as opções farmacológicas e não farmacológicas disponíveis para o manejo dos sintomas comportamentais da pessoa com demência.

“O que há de novo nos tratamentos clássicos?” é o tema que o neurologista, doutor em Neurologia Cognitiva e do Comportamento pela Universidade de São Paulo (USP), e com passagem pelo Brigham and Women’s Hospital, vinculado à Universidade de Harvard, Fábio Porto explica as novidades nas terapias tradicionais para o Alzheimer. Segundo ele, os remédios não curam, mas retardam a evolução da doença. “Eles têm efeito clínico comprovado e duradouro. Por isso, eles são a melhor opção de tratamento”.

Porto ressalta que ainda há necessidade de pesquisar e desenvolver novos remédios, que atuem em outros mecanismos da doença, como o acúmulo das proteínas tau, os processos inflamatórios e vasculares, por exemplo.

O neurologista e pós-doutorado pela Universidade de Londres, Paulo Bertolucci traz a aula ‘Tratamentos não aprovados, mas que todos querem saber: qual a evidência?’. Ele analisará a evidência científica por trás dessas intervenções e os possíveis riscos e benefícios para os pacientes.

O neurologista, presidente da ABRAz nacional e Neurologia da Disciplina de Clínica Médica da Universidade Santo Amaro, Rodrigo Rizek Schultz abordará as perspectivas futuras para o tratamento dos sintomas comportamentais na DA, como os avanços na neuroimagem, na genética e na imunologia.

Jornada dos multiprofissionais, familiares e Cuidadores

A JPA é um projeto que envolve médicos e outros profissionais de saúde que se dedicam a melhorar a qualidade de vida das pessoas com demência. O evento também oferece apoio e orientação a familiares e cuidadores, especialmente sobre como utilizar terapias não farmacológicas para reduzir os problemas causados pela doença nas funções cognitivas e comportamentais.

Nessa perspectiva, as aulas da sala multidisciplinar e cuidadores focam nas ‘estratégias de organização do ambiente em que vive a pessoa com demência’, ministradas pela terapeuta ocupacional Carla Santana, com pós-doutorado no Oxford Institute of Population Ageing da Universidade de Oxford (Reino Unido).

“O propósito é falar sobre modos de organizar os ambientes para pessoas com demência a fim de trazer conforto, harmonizar e tentar manter ao máximo a autonomia da pessoa que vive com demência a partir das orientações do Relatório Mundial de Alzheimer 2020: Design, dignidade, demência”, diz Carla.

Para aproximar familiares e cuidadores da legislação que protege o idoso, a Jornada traz a advogada, escritora e Presidente da Comissão do Idoso do Instituto Brasileiro de Direito de Família, no Espírito Santo, Patrícia Novais Calmon.

Autora do livro ‘Direito das Famílias e do Idoso’ (Editora Rocco, 2022), Patrícia defende a necessidade de quebrar o tabu sobre o envelhecimento, especialmente no campo do Direito das Famílias. “A aula percorrerá temas jurídicos relativamente novos, como alienação parental inversa, abandono afetivo em face de idosos e adoção por ascendentes”.

“O que há de novo no tratamento dos sintomas comportamentais na Doença de Alzheimer” é o tema que será trabalhado pela terapeuta ocupacional, Márcia Novelli, com pós-doutorado na Faculdade de Medicina da USP, em parceria com a Escola de Enfermagem da Universidade Johns Hopkins, Baltimore, EUA.

“A abordagem mostra aspectos relativos ao entendimento do que é um sintoma psicológico e comportamental, como esses sintomas são disparados e algumas estratégias são apresentadas de manejo comportamental não farmacológico que podem ser utilizadas, pelos cuidadores familiares e profissionais, como estratégias de cuidado em demência”, ressalta.

O Método Yura é uma abordagem inovadora para a promoção do envelhecimento saudável, desenvolvida no Japão em 2011. Ele combina três elementos: relaxamento, atividades físicas e música.

A técnica tem como porta-voz e palestrante a enfermeira, doutora e pesquisadora na área de Saúde Coletiva, com foco em Gerontologia pela USP, Rosa Yuka Sato Chubaci.

‘Conjugalidade: mudanças na vida conjugal com a evolução da demência’ é o tema que será abordado pela psicóloga, com pós-doutorado na área de Psicogerontologia pela University of Central Florida (Estados Unidos), Dra. Deusivânia Falcão. Ela tem uma vasta experiência adquirida no Centro de Referência em Assistência à Saúde do Idoso e com a Doença de Alzheimer.

A aula explora aspectos das mudanças na vida conjugal com a evolução da demência. Deusivânia vai falar sobre a necessidade de maior apoio aos cônjuges cuidadores.

O encerramento da Jornada conta com o bate-papo entre o geriatra Alexandre Kalache e o jornalista e escritor, Fernando Aguzzoli que vão conversar sobre como a relação entre avós e netos pode ajudar a manter a mente ativa e feliz. Kalache, que está entre as maiores autoridades mundiais em envelhecimento, trocará experiência com Aguzzoli que escreveu o livro, ‘Quem, eu? – Uma avó. Um neto. Uma lição de vida’.


Serviço
Jornada Paulista de Alzheimer ABRAz-SP
2 de setembro, das 9 às 12h30
Inscrição aqui para a Sala Interdisciplinar para cuidadores, familiares, advogados e profissionais de saúde.
Inscrição aqui para a Sala Médica (temas de interesse clínico para médico).

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