Os impactos e desafios das Organizações Sociais de Saúde

Por Anis Ghattás Mitri Filho

A saúde está passando por uma transformação profunda. O envelhecimento populacional, o aumento da incidência de doenças crônicas e os avanços tecnológicos estão redefinindo as necessidades e exigências do setor. Ao mesmo tempo, o Sistema Único de Saúde (SUS) enfrenta desafios estruturais, como restrições orçamentárias, aumento da demanda e a necessidade de tornar a gestão mais eficiente. Diante desse cenário, o modelo de Organizações Sociais de Saúde (OSS) tem se mostrado uma alternativa viável e eficiente para a sustentabilidade do sistema público.

As evidências confirmam que as OSS são capazes de ampliar o acesso, aumentar a eficiência e otimizar o uso de recursos públicos sem comprometer a qualidade do atendimento. Um estudo recente sobre o modelo no Brasil revelou que hospitais administrados por OSS registraram um aumento médio de 39% no número de internações, além de um crescimento de 23% na rotatividade de leitos e 14% na taxa de ocupação. O tempo médio de permanência dos pacientes caiu 9%, demonstrando uma gestão hospitalar mais ágil e eficaz.

O diferencial do modelo está na flexibilidade de gestão, que permite adaptação rápida às novas demandas assistenciais, contratação eficiente de profissionais e implementação de novas tecnologias. Enquanto a administração direta enfrenta dificuldades com burocracia e rigidez contratual, as OSS conseguem modernizar processos e alinhar suas operações às melhores práticas do setor com rapidez. Esse dinamismo será essencial nos próximos anos, à medida que a digitalização da saúde, o uso de inteligência artificial e a medicina personalizada exigirem novas formas de organização dos serviços.

Apesar dos resultados positivos, o modelo enfrenta desafios que precisam ser superados para garantir sua continuidade e aprimoramento. Um dos principais pontos de atenção é a variação na qualidade da gestão entre diferentes organizações. O estudo apontou que hospitais administrados por OSS mais experientes tiveram um aumento médio de 54% no número de internações, enquanto aqueles sob gestão de OSS menos experientes cresceram apenas 21%. Isso reforça a necessidade de critérios rigorosos na seleção das entidades gestoras, priorizando aquelas com experiência comprovada e capacidade de adaptação a cenários complexos.

Outra questão fundamental é o aperfeiçoamento dos contratos. Hoje, as metas são focadas principalmente no volume de produção, e os incentivos financeiros para qualidade ainda são limitados. O desafio é estabelecer formatos que equilibrem produtividade e excelência assistencial, garantindo que os ganhos de eficiência não comprometam os resultados clínicos e a segurança do paciente.

Além disso, as OSS’s ainda lidam com resistências institucionais e ideológicas que dificultam sua implementação e expansão. Embora o modelo seja reconhecido internacionalmente como uma alternativa eficaz para a gestão de serviços públicos de saúde, ainda há setores que insistem em tratá-lo como uma forma de privatização. Essa narrativa ignora o fato de que os serviços administrados pelas OSS’s continuam sendo 100% SUS, sem cobrança de pacientes e sob fiscalização permanente dos órgãos públicos. O que muda é a gestão, que sai das amarras da burocracia para funcionar com mais eficiência.

A saúde pública precisa de soluções que combinem gestão eficiente, inovação e compromisso social. O modelo OSS se encaixa perfeitamente nesse contexto. Por isso, é preciso aprimorar e expandir essa parceria entre público e privado para que mais brasileiros tenham acesso a uma assistência de qualidade, resolutiva e sustentável.


*Anis Ghattás Mitri Filho é presidente do Grupo Chavantes.

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