O impacto econômico do autocuidado na América Latina

No final de 2018, representantes do Grupo OTC de ILAR apresentaram em San Salvador (El Salvador) resultados de um estudo sobre o valor econômico do autocuidado na América Latina. O Grupo OTC é formado pelas autoridades reguladoras nacionais na Argentina, na Colômbia, no Brasil e no México, e ILAR, a Associação Latino-Americana de Autocuidado Responsável.

O ILAR promove o autocuidado em saúde com Medicamentos Isentos de Prescrição – MIP, com o objetivo de otimizar recursos e sistemas de assistência social, contribuindo para fortalecer a saúde pública por meio de medicação responsável. O ILAR está atualmente desenvolvendo uma iniciativa sobre o cuidado de algumas das doenças menos graves da região, buscando demonstrar as vantagens nos custos do autocuidado em saúde.

Na América Latina, o crescimento natural da população, junto com uma maior expectativa de vida, aumentou o número de pessoas que, de maneira exigente, demandam de serviços de saúde. Os Sistemas Nacionais de Saúde Pública (SNS) acham cada vez mais difícil lidar com a saúde de seus usuários e precisam adotar políticas para conter e racionalizar custos.

O estudo busca estimar os benefícios do autocuidado em saúde com o uso de Medicamentos Isentos de Prescrição – MIP, determinando o valor econômico que pode ter o manejo de algumas doenças comuns que não são graves com esses produtos em comparação com o manejo dentro do Sistema Nacional de Saúde Pública das mesmas doenças e casos, com foco nas doenças comuns de maior impacto na região, como resfriado comum, diarreia aguda, candidíase vulvovaginal e lombalgia inespecífica, na Argentina, no Chile, no México, na Colômbia e no Brasil.

Os resultados, que permitirão continuar a discussão sobre as políticas públicas na região, são divididos em custo comparativo dos tratamentos, o impacto sobre o orçamento, e o custo social destas condições:

  • Quase 3 bilhões de dólares são gastos em atenção da saúde nos quatro países incluídos no estudo, sendo o resfriado comum a doença que causa o maior custo dos cuidados, com 45% do total anual.
  • Se 50% dos casos fossem tratados com medicamentos de venda livre, poderiam ser obtidas economias substanciais de cerca de 1,5 bilhões de dólares.
  • Um bilhão de dólares em sistemas de Saúde Pública.
  • 473 milhões anualmente devido à perda atual de produtividade.
  • A lombalgia e o resfriado comum causam perdas de absenteísmo no trabalho de cerca de 4 bilhões de dólares por ano.

Com a entrega do estudo, o Grupo OTC do ILAR fornece informações sólidas aos Ministérios/ Secretarias da Saúde, suas agências reguladoras e instituições públicas, para considerar Medicamentos Isentos de Prescrição – MIP como uma opção terapêutica relevante e eficaz dentro de sua estratégia geral, dado o potencial que têm para educar os consumidores sobre o autocuidado e ajudar a aumentar a eficiência dos sistemas nacionais de saúde pública, permitindo-lhes priorizar o tratamento de pacientes com condições mais graves.

O autocuidado da saúde por meio de Medicamentos Isentos de Prescrição – MIP, em suas indicações autorizadas, representa um elemento favorável para a eficiência do Sistema Nacional da Saúde, devido à sua acessibilidade para grandes grupos populacionais e seus custos relativamente baixos como soluções práticas e rápidas de implementação.

A pesquisa mostra que a geração de poupança a partir da estratégia de autocuidado com Medicamentos Isentos de Prescrição – MIP é evidente tanto na esfera econômica quanto no consumo e uso de recursos de saúde e, principalmente, em potenciais impactos favoráveis na saúde dos pacientes.

Após esta apresentação, o ILAR realizará reuniões com os Ministérios/Secretarias da Saúde, órgãos reguladores e associações locais de autocuidado nos países incluídos no estudo, com o objetivo de desenvolver um plano para socializar as informações que permitirão a disseminação local e a discussão dos resultados.