Número de idosos com autismo cresce no mundo e pode ultrapassar cinco milhões

Um estudo internacional revela um crescimento expressivo da população idosa com transtorno do espectro autista (TEA) nas últimas décadas — e projeta um aumento ainda mais acelerado nos próximos anos.

De acordo com a pesquisa, realizada pela Universidade Médica Harbin, na China, e publicada na revista Molecular Psychiatry, o número de pessoas com autismo com 70 anos ou mais passou de cerca de 894 mil em 1990 para aproximadamente 2,48 milhões em 2021, um salto de 177%. A tendência deve continuar: a estimativa é que esse contingente ultrapasse cinco milhões até 2040.

O estudo aponta ainda diferenças entre grupos populacionais. A prevalência é significativamente maior entre homens do que entre mulheres e tende a ser mais alta em países com maior nível socioeconômico, o que pode, em tese, refletir maior acesso a serviços de saúde e diagnóstico.

Crédito da imagem: www.medicinasa.com.br (proibida a reprodução sem autorização)
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“De fato não temos muitos dados sobre a TEA em idosos. O que sabemos é que, hoje, temos muito mais diagnósticos de transtorno do espectro autista, ainda na infância, por conta da ampliação dos critérios”, diz a psiquiatra Daniele Admoni, especialista pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) e supervisora na residência de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM).

“Mas é realmente importante pensar nas intervenções para adultos. Tudo é voltado para a infância, que continua sendo a fase mais importante para atuarmos e ter melhores resultados, mas precisamos considerar adultos e idosos com TEA também”, afirma a médica. “Não há muitos projetos nem programas para essa população, então é fundamental desenvolver pesquisas voltadas a esse grupo”, diz Danielle.

Os autores do estudo afirmam que, com previsão de crescimento da população idosa no futuro, espera-se que a carga de TEA entre os adultos mais velhos continue a aumentar, o que exige maior atenção e o desenvolvimento de intervenções eficazes.

Mas por que esses idosos não foram diagnosticados mais cedo na vida deles? Os autores ainda não encontraram os motivos, mas um deles pode estar relacionado a outras pesquisas que mostram que o comportamento de “camuflagem”, ou seja de disfarçar os sintomas de autismo, são relativamente comuns entre adultos. Os pacientes relatam que fazem isso devido à falta de conhecimento e aceitação do autismo na sociedade, e a maioria avaliou a camuflagem como algo prejudicial à saúde mental, causando estresse, exaustão mental e ansiedade.

A pesquisa

Os dados fazem parte do Global Burden of Disease Study 2021, que reúne informações sobre o impacto de doenças e condições de saúde em nível global. A análise mostra que o aumento observado não se deve apenas ao crescimento da população idosa, mas também a um aumento na prevalência do transtorno nessa faixa etária, embora os pesquisadores não identifiquem uma causa específica para esse aumento.

O levantamento analisou dados globais entre 1990 e 2021 e utilizou modelos estatísticos para projetar tendências até 2040, considerando fatores como crescimento populacional, envelhecimento e mudanças na prevalência do transtorno.

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