Eficiência da inteligência artificial depende da expertise humana
No cenário da transformação digital, a inteligência artificial tem se destacado como uma ferramenta revolucionária na área da saúde: os algoritmos estão cada vez mais presentes na análise de exames, imagens e dados clínicos. Ao identificar padrões e sinalizar achados críticos, sistemas oferecem triagens capazes de agilizar diagnósticos e qualificar prognósticos.
Segundo uma pesquisa realizada pela Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) e pela Associação Brasileira de Startups de Saúde (ABSS), 62,5% das instituições utilizam essa tecnologia de alguma forma. Dentre as diversas aplicações, duas que merecem destaque são: o apoio à decisão clínica e a análise de imagens médicas.
No entanto, apesar de sua capacidade analítica, a IA, por ela mesma, não consegue captar nuances que vão além dos dados quantitativos. É o especialista, com seu conhecimento aprofundado e sua experiência clínica, que integra essas informações à realidade do paciente.
A validação e interpretação são fundamentais para garantir precisão ao combinar sugestões da IA e análises clínicas detalhadas e personalizadas. Dessa forma, previnem-se erros, evita-se que decisões sejam tomadas apenas com base em dados automatizados e, principalmente, favorece-se o diagnóstico precoce.
Como exemplo prático, destaca-se a radiologia de precisão, tecnologia usada pela Hapvida no Alerta Rosa. Softwares de IA realizam a leitura inicial de exames de imagem e destacam áreas que merecem uma atenção especial, como os Bi-Rads no laudo das imagens, que, nesse caso, podem ser indicativos de câncer de mama. Essa triagem permite que o radiologista se concentre em revisar as regiões indicadas, aplicando seu conhecimento clínico para confirmar ou refutar os achados apontados pela máquina. O resultado foi uma redução de 75% no tempo de espera dos pacientes entre a investigação da neoplasia e o diagnóstico.
Outro case da Hapvida é o projeto de crônicos. A partir da análise de laudos de exames e anamneses de consultas eletivas, a IA auxilia os especialistas na investigação diagnóstica de doenças crônicas (hipertensão, diabetes, dislipidemia e cardiopatias) e na classificação de risco para priorização de atendimento aos pacientes. Essa tecnologia permitiu a identificação de cerca de um milhão de beneficiários elegíveis para os programas de medicina preventiva da empresa.
Verifica-se, assim, que a IA e o toque humano, quando integrados, redefinem o cenário da Medicina Diagnóstica. Em vez de competir, atuam em conjunto, potencializando as capacidades um do outro. Enquanto aquela processa grandes volumes de dados e identifica padrões com rapidez, este traz o olhar crítico, a empatia e a contextualização necessária para a tomada de decisões seguras e humanizadas.
A discussão sobre a substituição de profissionais pela inteligência artificial muitas vezes gera receios infundados. O que realmente importa é reconhecer que, para que a IA alcance seu máximo potencial, precisa do acompanhamento humano. Essa colaboração eleva a qualidade do diagnóstico enquanto fortalece a confiança dos pacientes em um sistema de saúde cada vez mais inovador e seguro.
A mensagem é evidente: a IA precisa de você. Ao unir tecnologia e expertise, construímos um futuro onde a inovação trabalha a favor da humanização, garantindo resultados melhores e um cuidado mais eficaz. Se você é um profissional da saúde, pense em como essa sinergia pode transformar a sua prática e, principalmente, a vida das pessoas.
*Jefferson Santana é diretor de Tecnologia e Inovação da Hapvida.