Estudo amplia evidências sobre o uso da genômica na oncologia

A combinação de sequenciamento de DNA e RNA pode ampliar significativamente a identificação de pacientes com alterações genéticas raras no câncer de pulmão e potencialmente elegíveis para terapias-alvo específicas. A conclusão é de um estudo da Oncoclínicas&Co, liderado pelo oncologista Breno Jeha e apresentado na ASCO 2026, principal congresso mundial de oncologia, que avaliou mais de 1.500 pacientes e identificou ganhos na detecção de fusões em NRG1, biomarcador associado a tumores mais agressivos, mas passível de tratamento quando corretamente diagnosticado.

Os resultados reforçam uma mudança em curso na oncologia e demonstram que os tratamentos dependem cada vez mais da capacidade de identificar alterações moleculares que orientam decisões terapêuticas. Dados de mundo real da Oncoclínicas&Co mostram que pacientes com câncer de pulmão avançado submetidos à testagem molecular e tratados com terapias-alvo alcançaram uma sobrevida mediana superior a 30 meses, mais que o dobro da observada com estratégias convencionais.

A obtenção de resultados como esses depende de celeridade na testagem molecular utilizando tecnologias de ponta que estão integradas no fluxo diagnóstico e de tomada de decisões clínicas. Para dar apoio a esse modelo de cuidado, a companhia estruturou um amplo banco de dados oncológicos, que unifica informações clínicas, laboratoriais, patológicas e perfis genômicos em uma única plataforma.

Segundo Rodrigo Dienstmann, diretor da OC Medicina de Precisão, área que reúne os laboratórios de Anatomia Patológica, Genômica e Inovação da Oncoclínicas&Co, a integração de dados e pesquisa com inteligência artificial (IA) vem transformando o cuidado oncológico. “Hoje, conduzir o tratamento do câncer sem apoio de dados genômicos é ignorar o maior avanço da medicina personalizada da última década. Com essas ferramentas, conseguimos adicionar mais informações ao processo de tomada de decisão clínica”, afirma.

Crédito da imagem: www.medicinasa.com.br (proibida a reprodução sem autorização)
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IA reduz erros diagnósticos e amplia precisão das análises

Na patologia digital, a inteligência artificial já produz resultados mensuráveis. Em biópsias de próstata, por exemplo, a tecnologia ajudou a reduzir a taxa de erro de diagnóstico de 7% para 4%. A OC Medicina de Precisão foi o primeiro laboratório fora dos Estados Unidos a validar um algoritmo de IA integrado à rotina assistencial.

Além do diagnóstico, a IA é aplicada na etapa de sequenciamento do DNA dos tumores. Em cenários selecionados, ferramentas de IA podem auxiliar a classificar alterações moleculares, apoiando decisões como o aprofundamento da investigação genômica, incluindo a necessidade de testes complementares. Isso pode ampliar a identificação de biomarcadores que direcionam o paciente à terapia-alvo mais adequada, evitando o uso de medicamentos ineficazes e reduzindo o desperdício de recursos no sistema de saúde. Ferramentas como a biópsia líquida também potencializam o monitoramento da doença ao permitir a detecção dessas alterações por meio de uma amostra de sangue, permitindo complementar o diagnóstico molecular da doença em determinados contextos clínicos.

“Hoje, a medicina de precisão na oncologia envolve diferentes ferramentas que se aplicam a momentos distintos da doença. O NGS em tecido, um tipo de sequenciamento de nova geração, permanece central para caracterização molecular e definição terapêutica em tumores avançados, enquanto a biópsia líquida vem ganhando espaço como ferramenta complementar, tanto para identificação de alterações genômicas de resistência a terapias-alvo, quanto para monitoramento molecular da doença em contextos específicos, incluindo estudos de doença residual mínima”, explica Breno Jeha.

A companhia também vem consolidando programas de suporte ao paciente voltados ao acesso à testagem molecular, com iniciativas já implementadas em mais de 10 frentes, incluindo tumores de pulmão, mama, colorretal, pâncreas, via biliar, estômago, ovário, próstata, gliomas, melanoma, tireoide, entre outros.

“A combinação entre diagnóstico molecular, IA e acesso a terapias-alvo molecular representa uma das principais transformações da oncologia contemporânea e amplia os benefícios da medicina de precisão para um número cada vez maior de pacientes. Quanto mais eficiente for o cuidado, mais possível será entregar com qualidade e sustentabilidade”, completa Dienstmann.

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