Gamificação é eficaz para engajar profissionais de saúde
Por Sandra Barrio
A utilização de elementos de jogos, conhecida como gamificação, é uma estratégia eficaz para captar, manter a atenção e engajar profissionais da saúde em temas essenciais da área, como a higienização adequada das mãos. Atividades gamificadas, que envolvem desafios, interações lúdicas e participação ativa, favorecem o engajamento dos participantes e ampliam a capacidade de disseminação das informações.
No ambiente hospitalar, ações educativas voltadas à higienização das mãos são fundamentais para a prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde e para a promoção da segurança do paciente. No entanto, despertar o interesse sobre esse tema pode ser desafiador, justamente por se tratar de um conteúdo básico e amplamente conhecido pelos profissionais, como os cinco momentos da higienização das mãos, que são: antes do contato com o paciente; antes da realização de procedimentos assépticos; após risco de exposição a fluidos corporais; após contato com o paciente; e após contato com áreas próximas ao paciente.
Nesse contexto, a gamificação surge como uma alternativa inovadora para tornar o aprendizado mais dinâmico e atrativo. A introdução de elementos como desafios, perguntas interativas, formação de equipes, rankings de desempenho e premiações contribui para transformar a transmissão de conhecimento em uma experiência mais envolvente, facilitando a retenção do conteúdo e estimulando a participação ativa.
Além disso, essa abordagem favorece a formação de profissionais multiplicadores, que passam a compartilhar o conhecimento adquirido com suas equipes. Colaboradores que assumem esse comportamento ampliam o alcance das ações educativas e fortalecem a cultura de segurança institucional.
A efetividade dessa estratégia está diretamente relacionada ao conhecimento do perfil do público-alvo. Compreender como os profissionais consomem informação, quais formatos geram maior engajamento e quais fatores motivam o compartilhamento de conteúdo é fundamental para o planejamento de ações educativas mais precisas, principalmente para profissionais com a rotina corrida.
Esse processo, que antecede a realização de treinamentos e palestras, é essencial para o desenvolvimento de intervenções mais eficazes. Para além das atividades rotineiras da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), como visitas técnicas e monitoramento diário de práticas assistenciais, a adoção de metodologias inovadoras se torna indispensável em um cenário em que a atenção dos profissionais é constantemente disputada por múltiplas demandas e informações.
Dessa forma, investir em estratégias criativas como a gamificação não apenas qualifica o processo de ensino-aprendizagem, mas também contribui diretamente para a melhoria da qualidade assistencial e para a segurança do paciente.
*Sandra Barrio é enfermeira do Grupo Executivo do Controle de Infecção Hospitalar (GE-CIH) do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo, do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe).

