FenaSaúde projeta entre 53,5 milhões e 54,1 milhões de beneficiários em 2026

A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) realizou mais uma edição de sua transmissão dedicada à análise de indicadores do setor. Durante o encontro, foram divulgados dados que apontam uma recuperação gradual do mercado de planos de saúde, ao mesmo tempo em que evidenciam desafios relacionados ao equilíbrio econômico-financeiro da saúde suplementar.

As projeções da entidade indicam que 2026 deverá encerrar com um total entre 53,5 milhões e 54,1 milhões de beneficiários. Os dados do primeiro trimestre de 2026 (1T26), no entanto, mostraram desaceleração no ritmo de crescimento observado nos períodos anteriores. No segmento médico-hospitalar, a variação foi de -0,06% em relação ao fechamento de 2025, enquanto os planos exclusivamente odontológicos registraram alta de 0,81%.

“Existe uma correlação histórica entre o PIB, a taxa de desemprego e o número de beneficiários da saúde suplementar. Mesmo com o desemprego em níveis historicamente baixos, o cenário de juros elevados e o aumento dos custos exercem pressão sobre a capacidade de expansão do setor”, disse Bruno Sobral, diretor-executivo da FenaSaúde.

Cobertura estabilizada e peso do resultado financeiro

A série histórica analisada pela entidade mostra que a taxa de cobertura dos planos médico-hospitalares permanece próxima de 25% da população brasileira há mais de uma década. Já os planos odontológicos mantêm trajetória de crescimento, passando de cerca de 10% de cobertura em 2014 para 17% no início de 2026.

Dados referentes ao período entre 2018 e 2025 indicaram que o resultado financeiro, proveniente dos investimentos e aplicações das reservas técnico-regulatórias, respondeu por 53% do resultado total das operadoras antes dos impostos. No mesmo período, o resultado operacional representou 23% do total.

Rentabilidade abaixo de outros segmentos

Para aprofundar o diagnóstico sobre a situação econômica do setor, a FenaSaúde encomendou um estudo à consultoria LCA, que comparou o desempenho da saúde suplementar com outros segmentos da economia no Brasil e no exterior.

Entre os principais resultados estão:

  • Margem líquida reduzida: entre 2010 e 2025, a margem líquida média das operadoras foi de 3,5%. Excluindo o resultado financeiro, a margem operacional média ficou em 0,6%.
  • Retorno inferior ao custo de capital: segundo o estudo, o retorno obtido pelas operadoras sobre os recursos investidos foi insuficiente para cobrir o custo de captação e manutenção desse capital ao longo do período analisado, especialmente após a pandemia.
  • Desempenho inferior a outros segmentos: a margem líquida média das operadoras foi inferior à observada em outros elos da cadeia da saúde. Enquanto o setor de planos de saúde registrou margem de 3,5% entre 2010 e 2025, a indústria farmacêutica apresentou margem média de 19,6% no mesmo período.

Os indicadores também mostram que as despesas assistenciais seguem crescendo em ritmo superior ao das receitas e da inflação. Em 2025, de cada mensalidade paga pelos beneficiários, cerca de R$ 15 permaneceram, em média, com as operadoras após o pagamento das despesas assistenciais.

Sustentabilidade do setor e ajustes regulatórios

No segmento de planos individuais, a equipe técnica da FenaSaúde reforçou, durante a transmissão, que há um descompasso entre a evolução dos custos assistenciais e os mecanismos de reajuste atualmente vigentes. Essa diferença representa um dos desafios para a sustentabilidade econômico-financeira da saúde suplementar.

Outro tema abordado durante a transmissão foi o impacto do envelhecimento populacional sobre o setor. Atualmente, a proporção de beneficiários na última faixa etária em relação à primeira é de 72%. As projeções apresentadas durante a transmissão indicam que essa relação poderá alcançar 109% na próxima década, em um ritmo de envelhecimento superior ao observado nos últimos 25 anos.

“Esse cenário reforça a necessidade de atualização das regras que regem o mercado, de forma a acompanhar as transformações demográficas, epidemiológicas e econômicas do país”, afirmou Rafael Scherre, diretor de regulação econômica da FenaSaúde.

Durante a transmissão, a equipe técnica também defendeu a ampliação do debate sobre mecanismos de compartilhamento de custos, como coparticipação e franquias. De acordo com Bruno Sobral, diretor-executivo da FenaSaúde, esses instrumentos podem ampliar as alternativas de acesso aos planos de saúde e contribuir para o equilíbrio e a sustentabilidade do sistema no longo prazo.

“Os números mostram que a saúde suplementar segue atendendo mais de 50 milhões de brasileiros, mas enfrenta desafios estruturais que exigem aperfeiçoamentos regulatórios e instrumentos capazes de garantir sua sustentabilidade no longo prazo. O envelhecimento populacional, a evolução dos custos assistenciais e a necessidade de ampliar o acesso exigem um debate baseado em evidências e na busca de soluções que preservem o equilíbrio do sistema de saúde no país”, concluiu Sobral.

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