FDA atualiza bulas e reduz estigma sobre o uso de terapia hormonal

Por Achilles Cruz

A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos equivalente à nossa Anvisa, deu um passo importante para a promoção da saúde das mulheres: no início de novembro, ela anunciou a retirada da advertência de risco mais severa (“black box warning”, no jargão em inglês) de diversos medicamentos de Terapia Hormonal (TH) para menopausa. Com isso, bulas que por mais de duas décadas associaram erroneamente a terapia hormonal a riscos elevados de doenças cardiovasculares, câncer de mama e demência estão sendo enfim atualizadas.

A revisão da FDA está embasada em literatura científica recente e debates de especialistas. A nova orientação traz uma particularidade: a reposição hormonal, quando indicada, deve ocorrer de preferência nos primeiros 10 anos após o início da menopausa, ou antes dos 60 anos. Essa recomendação sinaliza que o tempo e o perfil da paciente são cruciais para relação risco-benefício da TH.

Mas, afinal, por que a mudança era necessária? Segundo a FDA, muitos dos riscos atribuídos à terapia hormonal foram baseados em dados antigos e interpretações equivocadas. Especialistas acreditam que os rótulos anteriores desencorajaram prescrições e espalharam pânico entre as pacientes. As terapias evoluíram, o perfil das mulheres que buscam a TH também mudou, e foi ficando claro que os benefícios superam os riscos desse tipo de tratamento, antes superestimados, quando individualizado e sem nenhuma contraindicação ao uso.

O impacto de duas décadas de alarmismo foi profundo: muitas mulheres e médicos abandonaram a TH, mesmo em casos de sintomas intensos, como alterações de humor, ondas de calor, suores noturnos, distúrbios do sono, secura vaginal e perda óssea. Isso deixou um legado silencioso: inúmeras mulheres conviveram com os sintomas da menopausa sem ter acesso a uma terapia segura que poderia lhes proporcionar uma qualidade de vida muito melhor.

A flexibilização das advertências mais severas ajuda a reduzir o estigma em torno da reposição hormonal e abre espaço para uma abordagem mais personalizada. No lugar de alertas genéricos, que afastavam muitas mulheres, o cuidado passa a se apoiar em conversas individualizadas, levando em conta idade, momento de início dos sintomas, histórico de saúde e o tipo de terapia mais indicada. Os benefícios potenciais incluem melhora dos sintomas, menor perda de densidade óssea e redução do risco de fraturas, comuns nos anos pós-menopausa. Com a retirada do “black box warning” a decisão ganha um novo equilíbrio, valorizando o diálogo entre médico e paciente.

O anúncio da FDA pode ser um divisor de águas na medicina para a menopausa. Com uma abordagem que reconhece, sim, riscos potenciais, mas recusa o alarmismo, apostando na análise individualizada, podemos ver uma ampliação no acesso à terapia hormonal, restabelecendo a confiança em tratamentos baseados em evidências científicas e proporcionando mais qualidade de vida na transição pelo climatério.

No fim, trata-se de devolver às mulheres o essencial: o poder de decidir com segurança sobre sua própria saúde – com informação, precisão, acompanhamento médico e sem o fantasma exagerado dos riscos da terapia hormonal.


*Achilles Cruz é ginecologista e obstetra, consultor médico da Libbs Farmacêutica.

Damos valor à sua privacidade

Nós e os nossos parceiros armazenamos ou acedemos a informações dos dispositivos, tais como cookies, e processamos dados pessoais, tais como identificadores exclusivos e informações padrão enviadas pelos dispositivos, para as finalidades descritas abaixo. Poderá clicar para consentir o processamento por nossa parte e pela parte dos nossos parceiros para tais finalidades. Em alternativa, poderá clicar para recusar o consentimento, ou aceder a informações mais pormenorizadas e alterar as suas preferências antes de dar consentimento. As suas preferências serão aplicadas apenas a este website.

Cookies estritamente necessários

Estes cookies são necessários para que o website funcione e não podem ser desligados nos nossos sistemas. Normalmente, eles só são configurados em resposta a ações levadas a cabo por si e que correspondem a uma solicitação de serviços, tais como definir as suas preferências de privacidade, iniciar sessão ou preencher formulários. Pode configurar o seu navegador para bloquear ou alertá-lo(a) sobre esses cookies, mas algumas partes do website não funcionarão. Estes cookies não armazenam qualquer informação pessoal identificável.

Cookies de desempenho

Estes cookies permitem-nos contar visitas e fontes de tráfego, para que possamos medir e melhorar o desempenho do nosso website. Eles ajudam-nos a saber quais são as páginas mais e menos populares e a ver como os visitantes se movimentam pelo website. Todas as informações recolhidas por estes cookies são agregadas e, por conseguinte, anónimas. Se não permitir estes cookies, não saberemos quando visitou o nosso site.

Cookies de funcionalidade

Estes cookies permitem que o site forneça uma funcionalidade e personalização melhoradas. Podem ser estabelecidos por nós ou por fornecedores externos cujos serviços adicionámos às nossas páginas. Se não permitir estes cookies algumas destas funcionalidades, ou mesmo todas, podem não atuar corretamente.

Cookies de publicidade

Estes cookies podem ser estabelecidos através do nosso site pelos nossos parceiros de publicidade. Podem ser usados por essas empresas para construir um perfil sobre os seus interesses e mostrar-lhe anúncios relevantes em outros websites. Eles não armazenam diretamente informações pessoais, mas são baseados na identificação exclusiva do seu navegador e dispositivo de internet. Se não permitir estes cookies, terá menos publicidade direcionada.

Visite as nossas páginas de Políticas de privacidade e Termos e condições.

Importante: A Medicina S/A usa cookies para personalizar conteúdo e anúncios, para melhorar sua experiência em nosso site. Ao continuar, você aceitará o uso. Veja nossa Política de Privacidade.