Excesso de reuniões virtuais aumenta prescrições em 61%

A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) divulgou dados parciais da primeira pesquisa realizada pela instituição sobre saúde mental e o excesso de reuniões virtuais, que até ganhou nome: fadiga do zoom. De acordo com o levantamento, 54,8% dos psiquiatras associados entrevistados perceberam um aumento nas queixas dos pacientes sobre o excesso de videoconferências nos últimos cinco meses, 61,1% dos entrevistados perceberam um aumento de prescrição de receituários A, B e C nos últimos 5 meses e 68,6% aumentaram as prescrições de psicoterapia para seus pacientes. A pesquisa começou no final de agosto e os dados são até o dia 06 de outubro.

Desde o início da pandemia, aspectos como o distanciamento social, o “ficar em casa” e o home-office fizeram com que todos os compromissos profissionais e pessoais se tornassem virtuais. Como já orientado pela ABP desde março, em artigo publicado no Brazilian Journal of Psychiatry, as preocupações com as consequências à saúde mental derivadas da pandemia chamam a atenção.

“É importante lembrar que já está em formação a quarta onda relativa à pandemia, que se refere ao trauma psíquico, doença mental, impacto econômico e burnout. Esses dados nos mostram exatamente este cenário. Ao contrário das outras curvas, esta permanece ascendente, mostrando que as consequências serão maiores e durarão mais tempo. Diferente do que muitos pensam, no entanto, a quarta onda agirá simultaneamente as outras” – afirma Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria.

Em outro estudo realizado recentemente pela ABP, os associados perceberam um aumento de até 25% nos atendimentos psiquiátricos e 82,9% do agravamento dos sintomas de seus pacientes após o início da pandemia. Tais dados reforçam a necessidade do cuidado com a saúde mental da população, que deve ser abrangente e direcionado a todos para haver uma mudança desta realidade relacionada com o surgimento de doenças mentais.