Uso de serviços cresce acima da expansão beneficiários em planos
A utilização dos serviços na saúde suplementar cresceu em ritmo superior à expansão da carteira de beneficiários entre 2019 e 2025. No período, o número de beneficiários de planos médico-hospitalares aumentou 11,8%, enquanto a produção assistencial avançou 23,2%. Como resultado, cada beneficiário realizou, em média, 34,4 procedimentos em 2025, ante 31,2 em 2019, alta de 10,2%. Os dados constam do estudo “Saúde Suplementar em movimento: evolução da produção e das despesas assistenciais entre 2019 e 2025”, produzido pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS).
Em 2025, a saúde suplementar alcançou 52,5 milhões de beneficiários, o maior patamar da série histórica da ANS, e realizou 1,81 bilhão de procedimentos médico-hospitalares. As despesas assistenciais totalizaram R$ 303,4 bilhões, em valores de dezembro de 2025, corrigidos pelo IPCA. Na comparação com 2024, beneficiários, produção assistencial e despesas voltaram a crescer simultaneamente. A despesa assistencial média por beneficiário também acelerou, com crescimento real de 4,2%, acima da variação registrada no ano anterior.

Em números
- 52,5 milhões de beneficiários;
- 1,81 bilhão de procedimentos realizados;
- crescimento de 23,2% da produção assistencial entre 2019 e 2025;
- expansão de 11,8% da carteira de beneficiários;
- média de 34,4 procedimentos por beneficiário, ante 31,2 em 2019;
- R$ 303,4 bilhões em despesas assistenciais.
“A análise dos indicadores per capita evidencia que houve aumento da utilização média dos serviços, permitindo compreender melhor a dinâmica da saúde suplementar ao longo dos últimos anos”, afirma o superintendente do IESS, Denizar Vianna. “O estudo identifica uma mudança no padrão de utilização dos serviços, mas não foi desenvolvido para apontar os fatores responsáveis por esse comportamento. Existem hipóteses consistentes que merecem aprofundamento, entre elas o envelhecimento gradual da carteira de beneficiários, mudanças no perfil epidemiológico da população, a incorporação de novas tecnologias e a evolução dos protocolos assistenciais. O que os dados mostram, com segurança, é que houve aumento da utilização média dos serviços”, observa.
Os exames complementares (análises clínicas e imagem) permaneceram como o principal componente da produção assistencial, respondendo por aproximadamente 68% dos procedimentos realizados. As consultas corresponderam a cerca de 16% do total, enquanto as internações representaram 0,5% do volume de atendimentos.
Apesar dessa participação menor no volume de atendimento, as internações concentraram aproximadamente 42% das despesas assistenciais, mais do que qualquer outro grupo de procedimentos. Já os exames, embora representem a maior parte da produção, responderam por cerca de 18% dos gastos do setor. Os resultados mostram que o volume de utilização e o impacto financeiro seguem dinâmicas distintas.
Entre 2019 e 2025, as consultas em pronto-socorro cresceram 23,7%, enquanto as consultas ambulatoriais permaneceram 1,9% abaixo do volume registrado no início da série. “O crescimento dos atendimentos em pronto-socorro merece atenção porque esse tipo de assistência exige estruturas mais complexas e, em geral, envolve custos superiores aos do atendimento ambulatorial”, pontua Vianna. “Além disso, atendimentos em pronto-socorro podem significar acesso menos hierarquizado ao sistema de saúde, que deveria ter como coordenador do cuidado a atenção primária em saúde.”
O estudo evidencia uma mudança na relação entre consultas e exames. Em 2019, eram realizados, em média, 3,3 exames para cada consulta médica. Em 2025, essa proporção passou para 4,3. O crescimento do grupo “outros procedimentos ambulatoriais” ajuda a explicar esse movimento. Nele, o crescimento foi impulsionado, entre outros aspectos, pela ampliação da cobertura de terapias após a decisão da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em 2022, de eliminar os limites de sessões para tratamentos de saúde mental e de transtornos globais do desenvolvimento, como o transtorno do espectro autista (TEA). O estudo ressalta, entretanto, que esse é apenas um dos componentes da evolução observada e não explica, isoladamente, o aumento da utilização dos serviços.
Para o IESS, a análise conjunta de indicadores de utilização e de despesas é essencial para compreender a evolução do setor e evitar interpretações baseadas exclusivamente no número de procedimentos realizados.

