Pesquisa analisa impacto da menopausa na saúde mental de mulheres
A empresa farmacêutica Astellas compartilha novos achados de uma pesquisa internacional sobre conhecimentos e estigma da menopausa. O estudo Menopause Experience & Attitudes (ou Experiência e Atitudes na Menopausa), realizado em seis países e com a participação de 13.800 entrevistados, sendo 2.300 brasileiros, revela que a menopausa impacta significativamente a saúde mental e a satisfação profissional das mulheres, afetando seu engajamento e produtividade no ambiente de trabalho. Segundo os dados do estudo, as brasileiras estão entre as que mais sofrem os impactos negativos da menopausa:
- 8 a cada 10 mulheres brasileiras (79%) vivenciaram sentimentos psicológicos negativos devido à menopausa, incluindo ansiedade (58%), depressão (26%), constrangimento (20%) e vergonha (16%).
- Em comparação com os números globais, as brasileiras parecem sofrer mais com estes sintomas, uma vez que 66% das respondentes internacionais relataram sentimentos psicológicos negativos devido à menopausa, sendo 41% com ansiedade, 33% com depressão, 25% com constrangimento e 11% com vergonha.
- 47% das brasileiras sofreram algum tipo de impacto negativo no local de trabalho, desde redução da produtividade (26%), incluindo medo de contar aos colegas (17%) e até mesmo discriminação explícita (9%). Apenas 29% das trabalhadoras se sentem à vontade para conversar com seu líder direto sobre o assunto.
- Novamente, os números brasileiros apontam um estigma maior para as mulheres no ambiente de trabalho: das respondentes globais, 36% tiveram impactos negativos no trabalho, 17% sinalizando a redução da produtividade, 14% com medo de contar aos colegas e 7% sofreram discriminação explícita.
- 80% dos entrevistados acreditam que as mulheres brasileiras na menopausa não são apoiadas no ambiente de trabalho e 49% concordam que as brasileiras enfrentam barreiras à progressão na carreira e reconhecimento profissional quando estão na menopausa.
“As conclusões do estudo Menopause Experience & Attitudes destacam que a menopausa é uma questão importante na sociedade que não pode mais ser ignorada. Com quase metade das mulheres enfrentando impactos negativos no trabalho, fica claro que muitas funcionárias estão passando por essa fase da vida em silêncio. Os empregadores devem agir para aumentar a conscientização, fornecer recursos e promover um ambiente de compreensão e inclusão, ajudando essas mulheres a prosperarem durante essa fase tão importante da vida”, diz Maria Celeste Osório Wender, ginecologista e presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Muitas mulheres que vivenciam a menopausa podem sentir constrangimento em relação aos seus sintomas devido à baixa conscientização e às atitudes negativas da sociedade, o que pode alimentar o estigma – impedindo, assim, que procurem o cuidado e tratamento adequados. O estudo descobriu que muitas das barreiras que impedem um suporte adequado durante a menopausa têm origem no estigma associado a essa fase natural da vida:
- A maioria (65%) dos brasileiros entrevistados acredita que a menopausa é um tema tabu e que as pessoas se sentem desconfortáveis ao discuti-lo.
- Pouco mais de um quarto (28%) acha que a menopausa é retratada de forma positiva na sociedade. Este número, no entanto, diminui para 24% dentre aquelas com experiência vivida. E globalmente, cai para 19% dentre as respondentes que possuem experiência pessoal com a menopausa.
- Dois terços (66%) acreditam que a menopausa e seus sintomas não são levados a sério. Este número sobe para 72% (versus 75% globalmente) entre as mulheres que possuem experiência pessoal com a menopausa.
- Há um baixo nível de conhecimento geral: 30% das pessoas acreditam ter um alto conhecimento sobre os sintomas, enquanto 17% têm pouco ou nenhum conhecimento. O conhecimento é maior – mas ainda relativamente baixo – entre aquelas com experiência vivida: apenas 42% conhecem muito bem os sintomas. Esse dado cai ainda mais globalmente, em que 26% das mulheres com menopausa têm muito conhecimento sobre os sintomas.
“A menopausa é uma questão que não pode ser ignorada, mas ainda está envolvida em silêncio e mal-entendidos, sendo que o ônus imposto na saúde e qualidade de vida das mulheres é enorme”, diz Thaís Ushikusa, ginecologista e diretora de Assuntos Médicos da Astellas no Brasil. “O estudo traz a compreensão das necessidades reais das mulheres na menopausa e fornece insights sobre as lacunas de conscientização e educação das pessoas, desde os sintomas até o impacto na qualidade de vida e no ambiente de trabalho. É essencial trabalharmos em parceria com a sociedade para elevarmos a conversa sobre a menopausa e combatermos o estigma que impede que muitas mulheres recebam os cuidados de que precisam durante essa fase de suas vidas.”
“O impacto do estigma social relacionado à menopausa e a necessidade de mais pesquisas não podem ser subestimados. Como resultado, a Astellas encomendou uma pesquisa com percepções de, aproximadamente 14.000 pessoas, que demonstra que equívocos e falta de conhecimento podem ser prejudiciais tanto para as mulheres quanto para a sociedade como um todo”, esclarece Chelsea Moran, líder global de Parcerias com Pacientes, Saúde da Mulher, Astellas.
“Como um parceiro comprometido com a saúde da mulher, esperamos continuar trabalhando com a comunidade da menopausa para promovermos ainda mais a educação, a conscientização e o apoio. Continuaremos desafiando os estereótipos ultrapassados para que as mulheres possam percorrer essa importante transição de fase com conhecimento, confiança e liberdade de escolha. Com o suporte adequado, essa deve ser uma fase da vida na qual as mulheres possam prosperar, e não apenas suportá-la”, finaliza Chelsea.
A menopausa
A menopausa é o marco do final da vida reprodutiva, determinada após 12 meses de amenorreia (ausência de menstruação). Entre as brasileiras, a média de idade para seu início é aos 48 anos e ela acontece em duas fases: a perimenopausa, quando os sintomas começam a aparecer, e a pós-menopausa, o período que acontece após o evento. O conjunto desses termos, desde o início dos sintomas, também é conhecido como climatério,,.
Existem mais de 50 sintomas relacionados ao período de peri e pós-menopausa. Esses sintomas podem ser: cognitivos (como confusão mental e dificuldade de concentração), físicos (como queda de cabelo, dor nas articulações e osteoporose), urogenitais (como secura vaginal e incontinência por estresse) e vasomotores (com ondas de calor e suores noturnos),. Mais de 80% das mulheres experienciam sintomas vasomotores, que são os que mais interferem na qualidade de vida da mulher, além de serem a principal causa pela qual elas procuram o tratamento.
O estudo Menopause Experience & Attitudes
O estudo Menopause Experience & Attitudes é uma iniciativa de pesquisa desenvolvida em parceria com especialistas externos para analisar e acompanhar as atitudes da sociedade, as experiências pessoais e o estigma em torno da menopausa e da perimenopausa em diversas regiões. O estudo abrange seis países: Austrália, Brasil, Canadá, Alemanha, México e Estados Unidos.
Os entrevistados incluíram 2.000 homens e mulheres em cada país, além de um subgrupo ampliado de 300 mulheres entre 40 e 55 anos, a fim de capturar percepções sobre a experiência vivida durante a perimenopausa e menopausa. No total, o estudo conta com uma amostra de 13.800 participantes (2.300 por país). A pesquisa foi conduzida online pela empresa de pesquisa Opinium, com a coleta de dados realizada entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025.