Einstein anuncia na COP30, em Belém, plataforma inédita que conecta dados climáticos e de saúde no Brasil
O Einstein Hospital Israelita apresentou ontem (12) durante a COP30, em Belém (PA), uma plataforma inédita que cruza dados climáticos, ambientais, de saúde e socioeconômicos de mais de 5.500 municípios. Denominada MAIS (Meio Ambiente e Impacto na Saúde), a iniciativa em desenvolvimento oferecerá uma visão integrada e interativa dos efeitos das mudanças climáticas sobre a saúde da população, permitindo identificar riscos, comparar regiões e apoiar a tomada de decisão em políticas públicas.
A plataforma, apresentada como prova de conceito, reunirá mais de 40 bases públicas de dados – entre elas, do Sistema Único de Saúde (SUS), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) – e reúne mais de 100 milhões de registros referentes a indicadores ambientais e de saúde dos últimos três anos (2022-2024), nesta fase inicial. As informações poderão ser filtradas por estado, município, bioma, faixa etária ou causa de internação, permitindo que gestores e profissionais de saúde visualizem correlações de forma granular, como o aumento de doenças respiratórias em períodos de poluição intensa ou a relação entre ondas de calor e mortalidade cardiovascular.
O projeto é fundamentado em estudos publicados em revistas científicas indexadas e com revisão por pares, sempre quando há dados pertinentes ao contexto. Tem como objetivo principal facilitar a compreensão dos impactos do clima sobre a saúde da população brasileira. A ferramenta organizará dados públicos de forma interativa, revelando padrões e lacunas que podem subsidiar decisões de adaptação e mitigação.

A proposta nasceu do entendimento de que a crise climática é também uma crise de saúde, como reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela própria agenda das Conferências do Clima. Estudos recentes mostram como o aquecimento global e a poluição já afetam a saúde dos brasileiros. Um estudo publicado na revista Sustentabilidade em Debate, em 2020, projetou cenários futuros sob diferentes níveis de aquecimento global e concluiu que, em Belém, sob o cenário RCP8.5 (de altas emissões e sem ação humana para contê-las), o estresse térmico seria responsável por 40% das mortes por doenças respiratórias. Em São Paulo, por sua vez, o aumento da concentração de monóxido de carbono está associado a 4% mais mortes respiratórias e 2% mais mortes cardiovasculares, com impacto acentuado nas populações mais vulneráveis, conforme estudo do Journal of Exposure Science and Environmental Epidemiology (2016).
“O Einstein sempre acreditou que inovar é, acima de tudo, cuidar melhor das pessoas. Quando unimos ciência, tecnologia e dados, conseguimos enxergar os desafios da saúde de uma forma mais ampla e isso inclui os efeitos do clima sobre a vida das populações. Essa plataforma é mais um passo para transformar informação em ação, e reforça o nosso compromisso de contribuir para um futuro mais sustentável e equitativo”, afirma Sidney Klajner, presidente do Einstein.
Klajner, que também é porta-voz do Impacto da ODS 3 (Saúde e Bem-Estar) da ONU no Brasil, destaca que, hoje, sem dados granulares e frequentes, os gestores não conseguem antecipar crises, planejar respostas ou medir resultados. “Hoje, os dados sobre clima e saúde existem, mas estão dispersos em dezenas de fontes. O que a organização se dispôs a fazer foi conectar essas informações para gerar uma visão integrada, que ajude gestores e profissionais de saúde a antecipar riscos e planejar respostas. É um exemplo de como a inovação pode apoiar políticas públicas e fortalecer o sistema de saúde diante dos impactos das mudanças climáticas”, completa.
