Entenda por que a educação em saúde não é custo, e sim estratégia
Há um consenso crescente no setor da saúde que afirma que investir em tecnologia sem investir em pessoas é uma equação incompleta. Em um sistema cada vez mais complexo, a educação continuada dos profissionais deixou de ser um tema periférico e passou a ocupar o centro das decisões estratégicas. Tratando-se de atualização técnica, segurança, eficiência e qualidade assistencial.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que até metade dos eventos adversos em serviços de saúde poderia ser evitada por meio de processos bem definidos e equipes treinadas de forma contínua. Ainda assim, a capacitação segue sendo tratada, em muitos casos, como custo operacional, quando deveria ser vista como investimento essencial.
A ausência de treinamento adequado impacta diretamente os desfechos clínicos. Revisões publicadas no BMJ Quality & Safety demonstram que programas estruturados de educação reduzem taxas de infecção hospitalar, erros de medicação e falhas em procedimentos críticos. Uma vez que, profissionais bem-preparados tomam decisões mais rápidas, seguem protocolos com maior consistência, além de atuarem de forma mais integrada.
Outro ponto frequentemente ignorado é o efeito da educação na eficiência do sistema. O Institute of Medicine já alertava que grande parte dos erros em saúde está relacionada a falhas de processo e comunicação. Treinar equipes melhora o cuidado ao paciente, e também reduz retrabalho, desperdício de insumos e tempo de internação, pontos que impactam diretamente na sustentabilidade financeira das instituições.
Mas educação em saúde vai além da técnica. Ela forma profissionais mais confiantes, preparados para lidar com pressão, inovação e mudanças constantes. Em um setor onde decisões impactam vidas, educar é cuidar. E quanto mais estruturada e acessível for a educação em saúde, maior será a capacidade dos sistemas de oferecer um cuidado seguro, humano e eficiente.
*Michael Dickscheid é vice-presidente de Negócios da B. Braun.

