Diagnóstico de precisão cresce a dois dígitos no Brasil
O avanço do diagnóstico de precisão no Brasil tem ganhado força com a incorporação de novas tecnologias laboratoriais e já impacta tanto a prática clínica quanto a dinâmica de custos do sistema de saúde. Impulsionado pelo envelhecimento da população e pelo aumento da incidência de doenças complexas, o segmento registra crescimento de dois dígitos no país, mas ainda enfrenta resistência de operadoras, que veem os novos testes como aumento de custo.
A expansão está ligada ao desenvolvimento de exames baseados em biomarcadores, capazes de identificar alvos moleculares específicos associados a diferentes doenças, especialmente em áreas como oncologia, neurologia e doenças autoimunes.
De acordo com Fulvio Facco, diretor da Binding Site e presidente do Conselho Administrativo da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL), os exames tradicionais continuam relevantes, mas o foco da inovação está na identificação de moléculas e proteínas diretamente relacionadas à evolução de doenças mais complexas o que permite uma abordagem mais direcionada.
Apesar do avanço tecnológico, a incorporação desses exames ainda enfrenta resistência de operadoras e fontes pagadoras, que frequentemente enxergam as novas soluções como aumento de custo. “Na prática a equação tende a ser inversa”, destaca Facco.
O especialista pontua que diagnósticos mais precisos e realizados no momento adequado permitem intervenções mais eficazes, reduzindo o tempo de internação, a ocorrência de complicações e a necessidade de tratamentos mais intensivos ao longo da jornada do paciente.
“Quando se analisa o ciclo completo, o diagnóstico correto no tempo certo reduz o custo total. O paciente tem menos recidivas, menos efeitos colaterais e uma jornada mais eficiente dentro do sistema”, explica Fúlvio.
Dificuldades no processo
De acordo com o presidente do Conselho da CBDL, a dificuldade está em mensurar esse impacto de forma padronizada, já que variáveis como tipo de doença, acesso a tratamento e diferenças regionais influenciam diretamente os resultados.
Do lado dos investimentos, a tendência é de avanço de tecnologias que reduzam a subjetividade dos exames e ampliem a capacidade de quantificação. “O próximo passo é tornar os exames cada vez mais quantificáveis. Isso permite acompanhar a evolução do paciente e ajustar a conduta clínica com base em dados objetivos”, afirma Facco.
A adoção dessas soluções também é vista como um dos caminhos para equilibrar a pressão crescente sobre o sistema de saúde. Com diagnósticos mais rápidos e precisos, a tendência é reduzir desperdícios, evitar exames desnecessários e otimizar o uso de recursos.
Para Fulvio, a expectativa para os próximos anos é de que o diagnóstico de precisão continue avançando no Brasil, impulsionado pela combinação de inovação tecnológica, aumento da demanda por tratamentos personalizados e necessidade de maior eficiência econômica na saúde.
“No fim do dia, investir melhor em diagnóstico é o que permite gastar menos com tratamento. Essa é a mudança de lógica que começa a acontecer no sistema de saúde”, finaliza.

