Como os devices têm ajudado na proximidade com os pacientes

Por Marcelo Toledo

Podemos ver de perto o quanto o lado tecnológico tem nos auxiliado e apoiado na criação de soluções. A Internet das Coisas (loT) e as demais “novas” aplicações estão nos permitindo expandir cada vez mais, revolucionando assim nossas vidas e o mercado. A loT é conhecida por ser um termo coletivo que descreve qualquer uma das múltiplas redes de processadores, atuadores, sensores, e computadores conectados à internet, que nos possibilita gerar conectividade, facilidade e criação de devices integrados ao cotidiano.

O setor de saúde faz parte dos segmentos que têm presenciado e lidado com essa inovação nos últimos anos, o que, ao meu ver, é um ponto positivo. Querendo ou não essa movimentação altera potencialmente o formato do que é oferecido às pessoas, pois o atendimento passa a olhar e considerar o indivíduo em sua totalidade, de forma que acontece uma personalização que diz respeito às necessidades e questões específicas daquele paciente.

Um exemplo disso é que no passado essa área acompanhava os pacientes através de fotografias, onde o exame de sangue, ressonância, raio x ou outros, representava o retrato e análise daquele momento. Hoje, alguns devices e sistemas operacionais nos permitem monitorar diariamente o status e demais dados da saúde, de maneira que os dispositivos acompanham as pessoas e metrificam constantemente os resultados.

Ou seja, por meio dessa conexão entre dispositivo, usuário e médico, é possível monitorar em tempo real os sinais vitais, quantidade de passos, medição de glicemia, oxímetro, queima de caloria e inúmeras informações biométricas que podem auxiliar rapidamente na resolução de problemas e diagnósticos.

Eu particularmente gosto e acho válido esse acompanhamento contínuo, tanto que uso diversos deles para monitorar a minha saúde, mas de maneira geral, os usuários se impressionam porque começam a ter respostas imediatas de algo que querem ter acesso ou hábitos que querem corrigir.

Hoje, as ferramentas que temos disponíveis, nos ajudam a melhorar e observar de perto as deficiências do nosso dia a dia, seja no sono, na perda de peso, na melhora da glicemia, no desempenho de um atleta e assim por diante. Para os usuários, isso acaba sendo um grande motivador para encarar o tratamento por exemplo, pois o feedback acontece de forma imediata e traz a sensação de recompensa, o que acaba influenciando diretamente no engajamento da pessoa naquilo. Além disso, quando esses dados são captados e usados com mais frequência, passa-se a ter uma menor margem de erro e uma maior precisão na resolução do caso.

Apesar de todos esses pontos que trouxe no decorrer do texto, surge aquela grande questão entre tecnologia e pessoas. Já ressalto aqui que antes de qualquer coisa é preciso saber conciliar toda essa munição que é oferecida pelos devices com o lado humano. Nada adianta ter dados, que facilitam, integram e evidenciam pontos, mas não proporcionar uma boa experiência para aquele que muitas vezes está numa posição vulnerável.

A tecnologia não para de avançar, isso é um fato, mas não acredito que a Inteligência Artificial (IA) ou qualquer outro método conseguirá proporcionar aquilo que nós, humanos, podemos oferecer, que é carinho, afeto, atenção e compreensão. Esses adjetivos são os que proporcionam a proximidade e relacionamento com o paciente, e que de certa forma impacta no que ele vai absorver daquilo que está sendo passado.

Atualmente, inúmeras empresas, especialmente startups, já tem essa compreensão e visão, tanto que nascem com a proposta de absorver a maior quantidade de dados possível para oferecer algo extremamente personalizado para aquela pessoa. Para isso, montam times que se preocupam de maneira genuína com aquele indivíduo e que tem como foco ajudá-lo a alcançar os objetivos almejados. Dessa forma, automaticamente, proporcionam uma experiência agradável, pois o paciente entende que tem pessoas torcendo, apoiando e vibrando cada conquista dele.

Ao meu ver, não há competição entre humanos e tecnologia, pelo contrário, os devices empoderam cada vez mais o atendimento humano, eles aumentam a personalização, criam indicadores e auxiliam no aumento do engajamento do paciente. Quando tudo isso é usado de maneira assertiva é possível alcançar um bom relacionamento, com proximidade e resultados positivos. Atualmente, vivenciamos uma grande transformação, na qual estamos construindo o futuro da saúde. Acredito que estamos aprendendo a lidar e conciliar as facilidades oferecidas para colocar o paciente no centro de toda a sua jornada.


*Marcelo Toledo é fundador da Klivo, HealthTech focada em melhorar a vida de pacientes crônicos.