Dasa amplia EBITDA em 53% e gera R$ 292 milhões de caixa livre
A Dasa acaba de divulgar o balanço do segundo trimestre de 2026. O período completa doze meses de operação no atual perímetro operacional. O trimestre repete a direção dos anteriores, com crescimento em diagnósticos, eficiência operacional, expansão de margem e a retomada do ciclo de geração de caixa. O EBITDA consolidado atingiu R$ 446 milhões, crescimento de 53% sobre o 2T25 em escopo comparável ao perímetro atual, com expansão de 5,8 pontos percentuais na margem, que chegou a 20,1%. A receita bruta consolidada somou R$ 2,4 bilhões, alta de 8% na mesma base.
Na abertura por divisão, Diagnósticos, core do negócio da Dasa, cresceu 9,2%. Hospitais e Oncologia Nordeste registrou queda de 4% na receita bruta, refletindo principalmente a menor receita em Oncologia. Apesar disso, o lucro bruto cresceu 4,2%, com expansão de 1,5 p.p. na margem, refletindo ganhos de produtividade e maior disciplina comercial.
O avanço do EBITDA combina crescimento de receita, ganhos de eficiência operacional, maior utilização da capacidade instalada e disciplina na gestão de custos e despesas. A companhia processou 10,6 milhões de exames adicionais em relação ao 2T25, ao mesmo tempo em que avançou na otimização da rede e na produtividade operacional. As despesas gerais, administrativas e comerciais totalizaram R$ 279 milhões, redução de 25,4% frente ao 2T25 no escopo atual. O prejuízo líquido foi reduzido em 92%, de R$ 454 milhões no 2T25 em escopo comparável para R$ 35 milhões no 2T26.

“Não existe um único movimento-chave na nossa estratégia. Existe um conjunto de alavancas que repetimos trimestre após trimestre, com coerência e consistência: mais exames, B2B, atendimento domiciliar e premium crescendo, eficiência operacional em cada etapa da jornada e a capacidade instalada rendendo mais. É essa disciplina que sustenta a retomada da geração de caixa da companhia”, afirma Rafael Lucchesi, CEO da Dasa.
A retomada da geração de caixa aparece nos números do trimestre: foram R$ 347 milhões, contra R$ 44 milhões no 2T25, e o fluxo de caixa livre ficou em R$292 milhões, após R$55 milhões de desembolsos com investimentos. O ciclo de conversão de caixa encerrou junho em 59 dias, sete dias menos que na base comparável.
A dívida financeira bruta caiu 21,2% em doze meses, para R$ 6,4 bilhões, e a dívida líquida, considerando aquisições a pagar e antecipação de recebíveis, recuou 23,4%, para R$5,6 bilhões. Em uma visão comparável do perímetro atual, a alavancagem manteve trajetória de redução, de 3,13x no 4T25 para 2,91x no 2T26. Em julho, a companhia concluiu a 23ª emissão de debêntures, de R$ 700 milhões, e realizou o resgate antecipado da 16ª emissão, deixando integralmente endereçadas as obrigações com vencimento em 2026 e 2027.
Diagnósticos: volume, B2B, domiciliar e premium
Diagnósticos registrou receita bruta de R$2,2 bilhões, alta de 9,2% sobre a base comparável. O volume chegou a 119,7 milhões de exames no trimestre, com o B2B respondendo por 70,5 milhões, alta de 13,2%, e o ambulatorial por 49,2 milhões, alta de 5,1%. O lucro bruto ajustado atingiu R$ 675 milhões no trimestre, alta de 3,9% sobre o 2T25 no escopo atual.
Esse desempenho se apoia na escala e no alcance da operação. A Dasa está presente em todo o território nacional com mais de 40 marcas e conta com mais de 350 mil médicos parceiros, atendendo mais de 20 milhões de pessoas por ano. O canal B2B conecta a companhia a laboratórios parceiros em todas as regiões do país, e o atendimento domiciliar amplia o acesso ao diagnóstico fora das unidades.
A margem bruta de Diagnósticos ficou em 33,2%, redução de 1,6 p.p. frente ao 2T25 no escopo atual, refletindo principalmente o maior peso do B2B no mix de receita, além de efeitos de classificação e alocação entre linhas da demonstração de resultado.
O crescimento do B2B se apoia em ganhos de eficiência operacional: a renovação tecnológica dos Núcleos Técnico-Operacionais, a revisão da malha logística e a ampliação da estrutura comercial. No ambulatorial, o desempenho veio da expansão do segmento premium, com ticket médio de R$35,30, alta de 3,4%. O atendimento domiciliar segue como uma das frentes de expansão de Diagnósticos.
A Dasa encerrou junho com 833 unidades de atendimento distribuídas por todo o país, em um processo de qualificação da rede que combinou o encerramento seletivo de operações de menor desempenho com o reforço das unidades de maior potencial.
Os investimentos do trimestre totalizaram R$59 milhões, alta de 42,6% sobre o 2T25 no escopo atual, com R$31 milhões direcionados a tecnologia. A companhia também retomou a divulgação do NPS, suspensa no 1T26 durante a implantação de uma nova plataforma de coleta e a revisão da metodologia, com 71,1 no trimestre e 74,3 em julho, este último ainda não auditado.
“Fizemos uma gestão estratégica da margem neste trimestre. Crescer em B2B e modernizar nossos núcleos técnico-operacionais pressiona a margem no curto prazo, mas o ganho aparece maior adiante, na eficiência operacional e na alavancagem. A liderança que temos hoje se sustenta em alcance e em excelência médica, e é isso que protegemos em cada decisão. Entregamos resultado no presente, com consistência entre o que anunciamos e o que executamos, e com a companhia preparada para atuar com força no futuro”, explica Lucchesi.
Hospitais, Oncologia Nordeste e Rede Américas
O segmento de Hospitais e Oncologia Nordeste, que responde por menos de 10% da receita bruta consolidada, registrou receita de R$208 milhões, queda de 4%, refletindo principalmente a menor receita em Oncologia, parcialmente compensada pelo crescimento de Hospitais. A rentabilidade avançou no período: o lucro bruto ajustado atingiu R$61 milhões, alta de 4,2%, com margem de 32,0%, expansão de 1,5 p.p. No Hospital da Bahia, a ocupação atingiu 83,7%, avanço de 7,1 p.p. em doze meses, com 6,2% mais pacientes-dia e 2,8% menos leitos ativos.
Na Rede Américas, joint venture em que a Dasa detém 50% e reconhece o resultado por equivalência patrimonial, a receita líquida somou R$3,2 bilhões, alta de 12,4%, e o EBITDA chegou a R$ 441 milhões, crescimento de 38,6%. A margem bruta subiu de 12,6% para 18,5% em doze meses e a alavancagem caiu de 2,74x para 1,69x.

