Custos assistenciais e o bem-estar do paciente: a busca pelo equilíbrio

Por Andréa Bergamini

O universo da saúde suplementar apresenta instabilidade constante. Fatores econômicos e sociais sempre refletem diretamente nas finanças das operadoras, que acabam em um ciclo repetitivo. Em certo momento, quantidade de beneficiários suficiente para manter as contas sob controle. Já em outro, é necessário repensar os gastos e “apertar os cintos”.

Mas, é importante que uma premissa norteie toda e qualquer ação das operadoras de saúde em todo o País: um atendimento de qualidade, que garanta o bem-estar do paciente. Sabemos que é um desafio reduzir custos sem comprometer pontos importantes, como a mão de obra especializada, materiais médicos de qualidade e uma ampla rede credenciada. É uma balança na constante busca pelo equilíbrio.

Um exercício é olhar para dentro: dos setores, das práticas e dos processos. Não há certo ou errado. Há uma maneira mais eficiente de ser fazer o que já é feito. Incorporar tecnologias às rotinas operacionais, otimizar o uso da mão de obra e melhorar o fluxo de troca de informações. Quantos profissionais brilhantes, com visão estratégica, atuam nas operadoras mas não possuem tempo para desempenharem atividades diferentes das estritamente classificadas como “operacionais”? E se esses setores pudessem contar com serviços especializados, que dão suporte às rotinas?

Em um breve recorte, relacionado à área de auditoria (na qual tenho experiência), já é possível perceber uma realidade presente: um setor altamente demandado, essencial para o equilíbrio de custos da operadora e com uma alta carga de trabalho. É ele o responsável por pontos fundamentais em uma operadora, como a liberação de materiais médicos e a autorização de procedimentos.

E que convergem para aspectos que mencionei no início do texto: custos assistenciais e bem-estar do paciente.

Engana-se quem acredita que uma tecnologia de ponta pode ser utilizada somente na atuação clínica, para diagnosticar exames e aperfeiçoar tratamentos. Ela também pode (e deve) ser inserida no dia a dia das operadoras, auxiliando rotinas, centralizando informações e tornando os processos mais seguros e otimizados.

Processos mais ágeis e seguros resultam em redução de custos e condutas que preconizam um atendimento de qualidade. E, claro, desafogam os auditores. Não é mágica. Trata-se de um olhar diferenciado dos gestores das operadoras, com o objetivo de otimizar o conhecimento desses profissionais (auditores) e dar a eles espaço para que atuem de maneira estratégica.

Como eu disse, não é necessário fazer grandes mudanças. É apenas um exercício pontual de olhar para dentro da operação e ver como ela pode ser beneficiada, a partir do uso de serviços especializados e recursos tecnológicos. Saliento que o recorte que fiz é relacionado a uma realidade que conheço. Mas, quantas áreas de uma operadora de saúde podem ser auxiliadas, a partir do mesmo olhar?

Equilibrar custos, garantir um bom atendimento e utilizar os colaboradores de maneira estratégica. E a sua operadora, como busca alinhar esses pontos?


*Andréa Bergamini é diretora executiva da empresa Gestão OPME; mestre em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília; integrante do Grupo Técnico de Trabalho de Órteses, Próteses e Materiais Especiais, coordenado pelas Agência Nacional de Vigilância Sanitária e Agência Nacional de Saúde Suplementar; e parte do Comitê Técnico de OPME do Fórum Latino-Americano de Defesa do Consumidor.