Coronavírus e a telemedicina: por que evitar ir até uma unidade?

Por János Valery Gyuricza

Apesar do medo que a pandemia do coronavírus causa e a necessidade de confirmar que sua saúde não está comprometida, ir até um posto de saúde ou hospital não é a melhor ideia no momento. Estes ambientes possuem um grau maior de risco de transmissão da COVID-19, já que concentram pessoas doentes, com a saúde debilitada e, possivelmente, transmissoras do vírus.

Ainda, outro grande motivo para não ir até o hospital enquanto não apresentar sinais graves da doença é a utilização desnecessária e a nossa atual falta de recursos essenciais.

Mais pessoas, menos recursos

A ida ao hospital consome insumos que já estão em falta no sistema de saúde do país. Testes para o vírus, máscaras, produtos de higiene e os próprios leitos já não estão suportando a demanda atual por tratamento e, de acordo com o ministério da saúde, há o risco do sistema de saúde colapsar.

Apesar de nos remeter a uma imagem de caos, pessoas aglomeradas nos corredores e destruição, este não é o significado exato de colapso do sistema de saúde. A expressão comunica falta de habilidade para suprir as demandas da população por leitos e recursos. Em outras palavras, um colapso, neste caso, é quando dinheiro algum, ordem alguma, recurso algum, plano de saúde algum consegue gerar uma vaga para que determinado paciente possa ser atendido.

A situação pode chegar ao que a Itália vive no momento, onde profissionais de saúde precisam decidir quem receberá o tratamento, já que é impossível atender a todos. Uma das possibilidades para driblar isso é segurar a circulação de pessoas para tentar diminuir a transmissão do vírus. Mas o impacto dessas contenções só é perceptível depois de muitos dias, por conta do ciclo de transmissão. E este é um dos grandes problemas que temos enfrentado.

Quando procurar um médico

A ida ao hospital é recomendada apenas após o paciente apresentar sintomas mais graves e específicos da COVID-19, como falta de ar, dificuldade para respirar e febre persistente. Sintomas comuns de um resfriado ou gripe, como tosse seca e coriza não chamam a atenção, mas devem ser monitorados com atenção.

Caso seja necessário ir até uma unidade de saúde, algumas orientações importantes: vá de máscara e informe seus sintomas assim que chegar. A equipe de saúde fornecerá máscaras mais apropriadas assim que o paciente chegar à unidade.

Para os usuários do SUS, a triagem é feita na unidade de saúde. O caso será avaliado e a decisão do encaminhamento para um hospital de referência é feita pela equipe de saúde, com base na gravidade dos sintomas. Além disso, nos dias em que algumas unidades de saúde não abrem, apenas pacientes com sintomas graves, como falta de ar, devem ir diretamente ao Pronto-Socorro.

Outros problemas de saúde

Apesar de ser prioridade em todo o mundo, o coronavírus não é o único motivo para se ir a uma unidade de saúde. As doenças agudas, assim como acidentes comuns ainda acontecem e precisam de uma devida atenção. E as pessoas continuam precisando de acompanhamento de seus problemas crônicos, inclusive.

Ir até uma unidade de saúde por motivos que poderiam ser adequadamente atendidos e resolvidos por teleatendimento, por exemplo, também afeta o tempo de espera das pessoas em situações de risco e que necessitam de cuidados emergenciais, bem como daquelas para as quais a avaliação presencial é imprescindível.

Ainda, outra problemática é levar o vírus, mesmo sem apresentar sintomas, para pacientes que não estão com o coronavírus, mas estão mais sucessíveis a pegá-lo, como pessoas em tratamentos contra câncer, gestantes de risco, prematuros ou aqueles internados por diversas outras doenças.

Diversos hospitais já estão suspendendo as visitas justamente como forma de segurança e proteção aos internos.

A vez da telemedicina

No fim de março, o senado aprovou o projeto de lei votado pela Câmara dos Deputados que autoriza o uso da telemedicina durante a pandemia do coronavírus no Brasil.

Ainda, o Ministério da Saúde publicou as diretrizes que devem ser seguidas na aplicação deste modelo de atendimento, controlando a prescrição de receitas, atestados e quais áreas podem utilizar desta tecnologia para continuarem a produzir diagnósticos precisos.

Essa medida foi tomada para diminuir o fluxo de pessoas em unidades de saúde e o consumo de recursos. Agora, para aqueles que iriam realizar consultas simples, que não necessitam de exames e atendimento presencial, a telemedicina é recomendada.

Os pontos positivos são muitos. Em diversos casos, essa modalidade possibilita que pessoas entrem em contato com a unidade de saúde e realizem o acompanhamento de sua saúde de maneira mais prática.

Além disso, pessoas com sintomas agudos suspeitos de coronavírus não podem ser avaliadas à distância, evitando idas desnecessárias a locais de aglomeração. Com o teleatendimento, estes indivíduos poderão receber orientações sobre como autoavaliar a gravidade de seus sintomas e recomendações de como proceder nos dias seguintes.


*János Valery Gyuricza é Head de Medicina na Cuidas.

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