Consultório na Rua amplia formação humanística

Por meio do projeto Consultório na Rua e do Programa de Educação, alunos de graduação das áreas de Enfermagem, Fonoaudiologia e Medicina participaram das ações de assistência à saúde destinadas a pessoas em situação de rua na região central de São Paulo. Iniciativa do Ministério da Saúde, criada em 2012, ocasião em que vários municípios do Brasil todo aderiram ao projeto. A experiência, que foi tema de artigo publicado na revista Saúde e Sociedade, destaca que a experiência permitiu um olhar “de perto” para os “invisíveis”, a realidade social na qual essas pessoas estão inseridas e “aprender sobre as particularidades da atenção à saúde deste grupo populacional”.

Em São Paulo, a população que vive nas ruas da região central foi atendida pela equipe do PET Saúde de Populações Vulneráveis, mantido em parceria pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) e a Secretaria Municipal de Saúde. Por meio do programa, alunos de graduação, de todos os semestres, puderam ter contato com os serviços da rede pública de saúde durante sua formação.

“O Consultório na Rua tem como premissa ser porta de entrada do sistema de saúde”, destaca o texto. O projeto incluiu consultas médicas e de enfermagem, além de outras especialidades, apoiadas pelos profissionais de fonoaudiologia e medicina do PET Saúde Populações Vulneráveis da FCMSCSP, proporcionando ações sobre educação e vigilância em saúde, e “parceria com equipamentos sociais (abrigo, higiene, alimentação, documentações, capacitações para o trabalho etc.)”.

Acompanhamento

O processo de acompanhamento de cada caso, estando presente um agente comunitário de saúde, estimulou a discussão na equipe, funcionando como processos de aprendizagem compartilhados. A integração ensino-serviço parte do conhecimento sobre estratégias de cuidado e a rede de proteção social. “Pode-se afirmar que os alunos desenvolveram senso crítico e refletiram sobre a efetivação das políticas públicas, na perspectiva da garantia de direitos sociais e humanos”, afirma.

Os alunos, na convivência com quem vive nas ruas, contaram com a oportunidade de ampliar sua visão de mundo. Aos moradores se descortinou a possibilidade de experimentar mudanças para situações delicadas e tornar mais amena a realidade das ruas. O resultado gerou contribuições importantes e efetivas para a formação social e humanística de profissionais mais preparados pelo aprimoramento do processo de trabalho da equipe de saúde por meio do diálogo entre ensino e serviço, qualificando, desse modo, o SUS.

Assistência

Quem vive na rua faz parte da “população de vulneráveis” e, dessa forma, é uma população que precisa de assistência, de cuidados de saúde por parte dos órgãos competentes, aponta o artigo. Muitas vezes a falta de higiene, o uso de “substâncias psicoativas e a criminalidade” acabam por marginalizar essas populações vulneráveis que, em geral, ocupam ruas, cortiços e “ocupações irregulares”. Na população na rua a questão se agrava, pois muitos serviços de saúde não respondem às urgências de socorro que esses moradores requerem, visto as numerosas doenças agravadas por um deteriorado estado emocional, aumentando o risco de morte.

A lei orgânica 8.080/1990 do Sistema Único de Saúde (SUS) com a Rede de Atenção à Saúde objetiva a integração entre ensino e serviços de saúde que engloba gestores, docentes profissionais e população. “A formação profissional em saúde hoje comporta uma educação técnica, humanística e comprometida com a mudança sociossanitária da população brasileira”, destaca o artigo. O PET Saúde, iniciativa do Ministério da Educação e do Ministério da Saúde apoia “essa reorganização nas graduações em saúde”, estimulando a formulação de estratégias pedagógicas de ensino-aprendizagem em realidades concretas das práticas assistenciais dos serviços do SUS.

Nessa perspectiva, de acordo com o artigo, essas ações procuram descobrir os fatores sociais a justificarem problemas de saúde, “identificar políticas públicas e ações de saúde destinadas aos grupos em vulnerabilidade”; encontrar essa temática na graduação da faculdade; “reconhecer a Rede de Proteção Social à população em situação de vulnerabilidade do centro da cidade de São Paulo”; e procurar criar “ações de proteção da saúde dessas populações”

*Com informações do Jornal da USP/Margareth Artur / Fotos da Agência Brasil – Rovena Rosa